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Indústria têxtil ainda deve enfrentar dificuldades em 2017

Análise foi feita em evento promovido pelo Sintex nesta segunda-feira, em Blumenau. Oscilações do dólar e quedas no varejo são alguns dos fatores que influenciam o setor.

O Sintex – Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário – promoveu nesta segunda-feira (28), uma palestra com Fernando Pimentel, em Blumenau (SC). Em pauta, o cenário atual da indústria têxtil e de confecção brasileira e as perspectivas para o próximo ano. Apesar do quadro geral negativo, o especialista não tem uma visão pessimista. “Fizemos muito, chegamos aqui e vamos fazer mais amanhã. A indústria não pode depender só do governo”, destacou.

Para o presidente do Sintex, Ulrich Kuhn, 2017 será um ano de crescimento muito moderado, próximo a zero, e não haverá nenhum milagre. “Dificilmente um país que perdeu graus de investimento, como o Brasil, consegue se recuperar plenamente em menos de oito anos. Temos muito a fazer”, alertou.

Formado em Economia e Administração de Empresas com Especialização em Marketing, Pimentel atua no setor têxtil e de confecção desde 1977, é diretor superintendente da Abit há 11 anos e o presidente eleito da entidade para o próximo ano. No encontro em Blumenau, o especialista destacou que as empresas não conseguem mais suportar o peso do Estado brasileiro com sua alta carga tributária; falou do quadro de recessão no Brasil e da instabilidade na economia mundial gerada pela eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Pimentel também chamou atenção para as recentes oscilações do dólar e explicou que a moeda estrangeira tem um grande impacto na indústria têxtil, pois muitos custos estão atrelados a ela, desde equipamentos até matéria-prima importada. “Em um mercado recessivo não é possível resistir a esses solavancos; a indústria não tem como passar as alterações de preço para o varejo e acaba amargando a conta”, destacou.

O especialista apontou ainda que há cada vez mais pressão dos grandes varejistas por preços.  “A indústria têxtil está sempre abaixo da inflação do país, sempre correndo atrás. Grandes varejistas estão pressionando por preços e impondo patamares difíceis de alcançar de forma saudável”, afirmou. A questão, segundo Pimentel, é resultado das próprias dificuldades que o varejo enfrenta, com uma queda estimada de 5,7% no índice de volume de vendas varejistas neste ano. Especificamente no varejo de vestuário, a queda deve ser ainda mais acentuada, acumulando perdas de 11,3%.

Mas, se o varejo físico, enfrenta dificuldades, Pimentel sinalizou que no comércio eletrônico há espaço para crescer. “O setor têxtil e de confecção tem o maior volume de transações de e-commerce no Brasil. Não é o maior ticket médio, mas, em volume, sim.” Ele destacou ainda a tendência do crescimento de consumo via dispositivos mobile.

Competitividade

Pimentel abordou também alguns pilares de competitividade e como a indústria têxtil brasileira pode ainda encontrar espaço para enfrentar o mercado mundial investindo em inovação. “Temos apresentado força em tendências como a estampadria digital e impressão 3D. A participação do Senai-Cetiqt neste processo ajuda a criar representações e mostrar que é possível fazer inovação mesmo em pequenos negócios. Pequenas empresas podem crescer com essas inovações e se destacar”, afirmou o especialista.

Pimentel apresentou ainda o programa TexBrasil, desenvolvido em parceria com a Apex, para promover a exportação têxtil nacional e o projeto Indústria + Produtiva, que visa estimular melhores práticas nas empresas.

 

 



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