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Paranaenses deixam chineses para trás

Veículo: Valor Econômico
Seção:
Data: 28/07/2010

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A Commanders, pequena fábrica de uniformes, importa boa parte dos fios que servem de matéria-prima para as cerca de 50 mil peças manufaturadas por seus 200 funcionários todos os meses. Por ser importadora de insumos, a empresa aproveita o câmbio...



    De São Paulo
    28/07/2010
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Ana Paula Paiva/Valor
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Cláudio Palharin, da Commanders: "O contrato com a Petrobras é uma maravilha, vamos dobrar o pessoal e a produção"

A Commanders, pequena fábrica de uniformes, importa boa parte dos fios que servem de matéria-prima para as cerca de 50 mil peças manufaturadas por seus 200 funcionários todos os meses. Por ser importadora de insumos, a empresa aproveita o câmbio baixo, mas essa ajuda vem sendo corroída pelo aumento da concorrência chinesa em produtos acabados equivalentes aos que ela produz. Um contrato recente, no entanto, mudou o jogo.

Há quatro anos a Commanders lutava para emplacar o selo Qual, específico ao segmento de uniformes, construído com base em indicadores da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Conseguiu no início do mês, depois que a Petrobras se convenceu da consistência do selo de qualidade e fechou contrato com a companhia de Apucarana, no interior do Paraná. A partir de agora, a Commanders vai entregar mil uniformes que serão usados pelos funcionários em refinarias da estatal, em um contrato com validade de um ano. O acordo, que criou uma demanda garantida, renovou o espírito da empresa.

Segundo Cláudio Luiz Palharin, dono da companhia, o contrato dá liberdade à Petrobras encomendar até cinco vezes mais uniformes, "o que é uma maravilha". Agora, diz ele, a empresa espera dobrar o número de funcionários para atender à demanda, que deve superar o contrato com a estatal. "Como a Petrobras aceitou os ditames do selo Qual, outras estatais e companhias de alto porte podem fazer o mesmo, e precisamos estar preparados", diz o empresário.

O setor de uniformes sofre com a competição estrangeira pois sua produção não é em larga escala. O câmbio valorizado, dizem especialistas, exerce pressão sobre os fabricantes brasileiros, que precisam apelar para a qualidade e selos de garantia e certificação para justificar os preços mais salgados.

Foi justamente esse segmento que provocou preocupação no governo, depois que fabricantes chineses ganharam uma licitação para fornecer uniformes ao Exército. O episódio, segundo fontes próximas ao Ministério da Fazenda, acelerou as discussões quanto à implementação de uma proteção tarifária a indústria em licitações públicas. Na semana passada, o governo editou medida provisória que dá prioridade a setores como calçados e têxteis nessas compras.

Após o contrato com a estatal, a têxtil deve duplicar de tamanho até 2011, diz Palharin. "Devemos dobrar o número de trabalhadores e produzir mais de 100 mil uniformes por mês", afirma. (JV)

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