Retomada do setor têxtil incentiva o algodão
Veículo: Folha de S. Paulo
Seção: Vaivém
Data: 23/07/2010
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MAURO ZAFALON mauro.zafalon@uol.com.br
A retomada da demanda por algodão anima os produtores para a próxima safra, que pode atingir 1,4 milhão de toneladas. Se confirmado, o volume será 27% maior do que o produzido no ciclo 2009/10 -que deve ficar em 1,1 milhão de toneladas.
A estimativa é do presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Haroldo Cunha, e tem como base uma área plantada de 900 mil a 950 mil hectares na safra 2010/11.
Apesar do avanço -na safra 2009/10 o algodão foi cultivado em 846 mil hectares, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento)-, Cunha já esteve mais otimista.
"Cheguei a prever uma área de 1 milhão de hectares, mas a queda recente dos preços do algodão e a alta da soja podem fazer com que alguns produtores optem pelo grão", afirma Cunha.
Neste mês, o algodão tem queda de 3,7% em Nova York (contratos para o primeiro vencimento). A soja subiu mais de 7% em Chicago.
Ainda assim, as perspectivas são as melhores dos últimos dois anos, pelo menos.
A crise mundial reduziu a demanda pelo produto, devido à desaceleração da indústria têxtil. Em meados de 2009, teve início a recuperação da demanda por tecidos e, logo, pelo algodão.
"A indústria têxtil já retornou aos padrões pré-crise", diz Ivan Bezerra Filho, vice-presidente da Abit (associação da indústria têxtil).
A Abrapa estima que a indústria apresente uma demanda firme pelo algodão brasileiro de 950 mil toneladas neste ano.
Com a safra atual em 1,1 milhão de toneladas e 400 mil comprometidas com o mercado externo, a indústria já precisa importar algodão.
Alíquota zero A cadeia produtora de algodão pediu ao ministro da Agricultura, Wagner Rossi, eliminação da alíquota de importação para a compra de 150 mil toneladas. Com a quebra da safra atual, deve faltar algodão para a indústria têxtil nacional.
Em disparada Neste mês, o Brasil importou, por dia, US$ 2,4 milhões em algodão, segundo dados mais recentes da Secex. O valor é 166% maior do que a média diária de julho de 2009.
Baixa oferta Com a entrada de poucos animais de confinamento no mercado, a maioria dos frigoríficos encontra dificuldade nas compras de boi gordo. Reflexo no preço A arroba era negociada ontem a R$ 80 à vista, na média do país, segundo pesquisa da Folha. Mas já existem negócios fechados a R$ 82 por arroba, em São Paulo.
Futuro A recuperação das exportações e a força do mercado interno formam cenário de alta para os preços. Na BM&F, ontem o contrato mais negociado (vencimento em outubro) foi cotado a R$ 86,62 por arroba.
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