41% dos consumidores vão usar lojas online no Natal, mostra pesquisa

Veículo: Estadão

Setor já empata em termos de preferência do consumidor com lojas de departamento como opção para compras

O comércio online tem conquistado novos consumidores a cada dia. Neste fim de ano, pela primeira vez as lojas online empataram com as lojas de departamento como local preferido pelos brasileiros para fazer as compras de Natal. Ambas lideram o ranking onde os consumidores planejam comprar.

Pesquisa de intenção de compras de Natal da CNDL e do SPC Brasil mostra que 41% dos consumidores pretendem adquirir produtos em lojas online no Natal, o mesmo porcentual que declarou que planeja consumir em lojas físicas de departamento. Em terceiro lugar, estão os shoppings, com 37% da preferência dos entrevistados.

Dentre os que mencionaram a internet, oito em cada dez comprarão ao menos a metade dos presentes em lojas online e 15% dos entrevistados, todos os presentes. Entre os entrevistados que pretendem pesquisar preços, que é a grande maioria, 80% não estão dispostos a gastar sola de sapato: vão usar sites e aplicativos de lojas para fazer o levantamento.

“O brasileiro vai pesquisar mais na internet e comprar mais também”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil e responsável pela pesquisa, Marcela Kawauti.

Esse resultado coincide com a forte investida da Amazon, a gigante do comércio online no País. Para este final de ano, a empresa vai oferecer no seu site mais de 20 milhões de produtos e concorrer como os mais diferentes segmentos do varejo: da rua 25 de Março, reduto de comércio popular de cidade de São Paulo, com enfeites de Natal, a lojas especializadas em eletrônicos, com a venda de equipamentos que conectam inteligência artificial instalada na nuvem. Apesar de ser uma loja virtual, a companhia neste ano abriu um centro distribuição próprio em Cajamar (SP) para ser mais eficiente nas entregas físicas de mercadorias.

A preferência crescente do consumidor pelas compras online pode soar como uma ameaça para as lojas físicas. No entanto, ainda o comércio eletrônico representa muito pouco do que o varejo fatura, menos do que 5%.

Ressaca

Apesar dos sinais mais favoráveis para o consumo neste fim de ano, como o crédito destravado, inflação em baixa e juros na mínima histórica, por exemplo, a pesquisa revela que as marcas da crise persistem. Entre os entrevistados que não pretendem comprar presentes, o principal motivo é a falta de dinheiro, com 39% das respostas, seguido pelo desemprego, com 15%. “A recessão acabou, mas a ressaca da crise está presente na vida dos brasileiros”, diz Marcela. Ela lembra que o desemprego ainda é elevado e as reformas aprovadas não terão impacto imediato.