Meta é avançar dez posições em ranking global até 2022

Veículo: Valor Econômico

O governo definiu uma meta para a infraestrutura do país: sair da atual 81ª posição para o 71º lugar nesse quesito do ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, até o fim de 2022, e "construir as fundações necessárias" para o Brasil figurar entre os 20 primeiros colocados em 2040. 

"Para o alcance desta meta, estima-se que, até 2040, sejam necessários investimentos da ordem de R$ 10 trilhões - um grande desafio para o país, uma vez que foram investidos no Brasil, em 2018, cerca de R$ 112 bilhões", afirma trecho de documento da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade que será lançado em agosto.

O Pró-Infra, uma "estratégia de avanço da infraestrutura" desenhada pela equipe econômica, prevê um forte impulso dos investimentos na área com a adoção de novos modelos de financiamento e marcos regulatórios.

O PL do Choque de Investimento Privado, como está sendo chamado o projeto de lei em reta final de elaboração no governo, é parte das medidas planejadas para isso. No entanto, para alcançar a meta, seria necessário adotar novos modelos no saneamento básico e na telefonia. O Congresso já discute mudanças que favorecem a privatização de companhias de água e esgoto.

Nas telecomunicações, um projeto já aprovado na Câmara e em trâmite no Senado altera o regime da telefonia fixa de concessão para autorização. Com isso, as operadoras podem se concentrar mais na oferta de serviços da rede celular e de banda larga.

Conforme as projeções da equipe econômica, no cenário de referência, os investimentos em infraestrutura - energia elétrica, telecomunicações, saneamento, rodovias, ferrovias, portos e hidrovias, aeroportos e mobilidade urbana - devem atingir R$ 158 bilhões em 2022, R$ 188 bilhões em 2030 e R$ 213 bilhões em 2040.

Em um outro cenário, descrito como "transformador" pelo Ministério da Economia, as estimativas aumentam significativamente: chegam a R$ 287 bilhões em 2022, R$ 493 bilhões em 2030 e alcançam R$ 735 bilhões em 2040.

Nas contas da equipe econômica, isso permitiria elevar o estoque de capital aplicado em infraestrutura dos atuais 36% do PIB para até 61% nesse período.

Os países desenvolvidos, segundo o estudo, têm estoque de investimentos no setor que varia entre 64% e 85%. No cenário global, a maior relação é encontrada no Japão, onde há capital acumulado de 179% do PIB.