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IBGE: É cedo para ver retomada acelerada da indústria de transformação

“Permanecem os fatores conjunturais que pesam na indústria desde o segundo semestre do ano passado, como a crise de confiança de empresários e famílias, a crise da Argentina, uma demanda doméstica afetada pelo mercado de trabalho”, disse Macedo.

O técnico chamou atenção para a queda de 1,3% da indústria de transformação no acumulado deste ano, frente ao mesmo período do ano passado. Embora menos intensa do que a queda da indústria em geral (-2,7%), o resultado também está no campo negativo. 

“Por isso, pegar isoladamente o resultado de abril e achar que teve efeito de recuperação, considerando só a transformação, é prematuro”, disse ele.

Em abril, o bom resultado da indústria de transformação foi liderado pela produção de máquinas e equipamentos (+8,3%), veículos automotores (+7,1%) e produtos químicos (+5,2%), além de resultados positivos de bebidas (+3,4%) e metalurgia (+1,7%). De 25 ramos da indústria de transformação, 20 foram positivos. 

Efeito Brumadinho

Isolados os efeitos do rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), a indústria brasileira teria crescido 1,2% em abril, na comparação a março. Esse crescimento refere-se à indústria de transformação.

“Isso dá a dimensão como teria sido o mês da indústria como um todo sem os efeitos do setor extrativo, que ainda sofre com os efeitos de Brumadinho”, disse Macedo durante coletiva na sede do instituto, no Rio. 

A alta de 1,2% em abril é o melhor mês da indústria de transformação desde junho do ano passado, quando avançou 13,7%. Foi o mês subsequente ao impactos da greve dos caminhoneiros, quando o setor começou a se reorganizar após uma série de paralisações geradas pela falta de insumos e de transporte para escoar a produção.

De acordo com o IBGE, o desempenho de abril ocorre após uma queda de 0,2% da indústria de transformação em março, na comparação ao mês imediatamente anterior. O melhor resultado no ano até então havia sido registrado em fevereiro, quando o setor cresceu 0,9%. Esse segmento da indústria está agora 1% acima do nível de dezembro. 

Macedo também destacou o desempenho da produção de bens de capital, que cresceu 2,9% em abril, terceiro mês consecutivo em campo positivo. Ele lembra que nesses três meses essa categoria industrial avançou 9,1%, alta ainda insuficiente para compensar as perdas de 9,8% registradas de novembro a janeiro. 

Em contraste, a produção de bens intermediários recuou 1,4% em abril, na comparação com março, sob impacto do cenário no segmento extrativista.

No geral, em abril, a indústria brasileira cresceu 0,3% em relação a março.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Empresas



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