Indústria fecha postos de trabalho no quadrimestre


A indústria da região de Campinas fechou 700 postos de trabalho no 1º quadrimestre de 2019. De acordo com dados divulgados pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas, o resultado é aproximadamente 500% inferior ao mesmo período de 2018, quando o setor registrou 2.850 contratações. Na comparação com os primeiros quatro meses de 2017, a somatória foi cerca de 250% inferior, ante o saldo de 1.050 novas vagas. Só em abril deste ano, houve 100 demissões, o pior resultado para o mês nos últimos três anos. Em 2017 e 2018, a entidade contabilizou 750 e 600 postos de trabalhado gerados, respectivamente.
José Henrique Toledo Corrêa, diretor do Ciesp-Campinas, explica que o setor está estagnado. O faturamento não cresceu, mas as despesas aumentaram. Nesse contexto, o empresariado se vê obrigado a efetuar demissões — em sua concepção, a maneira mais rápida para reduzir os gastos. Contudo, Corrêa defende que o mercado industrial da região de Campinas e nacional tem um grande potencial de crescimento. A retomada deve começar em 2020, projeta.
"A entrada do novo governo em janeiro não provoca imediata mudança na cadeia produtiva", disse. Segundo o diretor do Ciesp-Campinas, é necessário que se aprove novas leis, medidas provisórias, entre outros, o que requer tempo. Corrêa vislumbra que a reforma da Previdência causará um grande impacto na economia brasileira. "Parte dos gastos públicos será estancada, permitindo que o governo invista em setores originalmente de sua responsabilidade: saúde, educação, saneamento básico, obras de infraestrutura, estradas, etc", afirmou. Como consequência, haverá aumento de produção e novos investimentos, de origem estrangeira e também nacional, em diversos segmentos, impulsionando a retomada econômica.
Setores que mais influenciaram
O estudo informou ainda que o resultado do 1º quadrimestre de 2019 "foi influenciado pelas variações negativas de produtos têxteis (-2,78%) e produtos alimentícios (-0,55%), que foram os setores que mais interfiriram no cálculo do indicador total da região. O resultado só não foi pior devido às variações positivas dos setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e óticos (4,65%) e produtos minerais não-metálicos (2,44%), que também influenciaram o cálculo do indicador".
Confiança
O Índice de Confiança do Empresário Industrial Paulista (ICEI-SP) observou queda em abril, de 59,9 para 53,7 pontos. Em março, o indicador também havia recuado, em 5,8 pontos. Apesar da retração, o ICEI permanece acima de 50 pontos, sinalizando confiança por parte dos empresários industriais do Estado pela sétima leitura consecutiva. Entre seus componentes, o indicador de condições atuais caiu de 53,3 para 46,8 pontos (apontando pessimismo em relação à situação atual); ao passo que o indicador de expectativas retrocedeu pela terceira leitura seguida, indo de 63,2 para 57,1 pontos, porém ainda apontando otimismo pela 28ª leitura consecutiva.
Segundo José Henrique Toledo Corrêa, o resultado em abril deste ano é mais emocional do que empresarial. "A atividade está estacionada. Houve alguns embates políticos. Isso gera desânimo no empresário com relação ao Brasil", afirmou.

Veículo: Correio Popular

Seção: Notícias