“O setor têxtil é o primeiro a entrar na crise e o último a sair”

A crise econômica e política em que o Brasil mergulhou nos últimos anos atingiu em cheio o setor da confecção. Ramo forte do Sul do estado, a situação acabou ocasionando o fechamento de diversas indústrias e consequentemente a sobra de mão de obra qualificada no mercado.

E para piorar, as expectativas não são nada animadoras. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Sul Catarinense (Sindivest), Xandrus Galli, a situação poderá melhorar no próximo ano, porém para isso, a Reforma da Previdência precisa ser aprovada, aposta ele. “O nosso setor não é de primeira necessidade, então as pessoas diminuem o consumo. Em reunião do sindicato nesta semana, para a nossa surpresa, estamos registrando queda desde fevereiro, com relação ao ano passado”, conta.

A notícia acabou jogando o otimismo dos empresários, já que acreditavam que o ramo ia registrar melhoria a partir deste ano. “Em 2018 tínhamos uma visão que com a mudança do governo acabaria aquela ‘bagunça’. Que a economia iria girar. Mas enquanto Executivo e Legislativo não se entenderem as coisas não vão melhorar”, acredita.

Galli enfatiza que o setor vem sofrendo desde 2015, quando a crise econômica e política passaram a atingir o país e que inclusive, pelo menos quatro grandes empresas do setor estão em recuperação judicial. “O setor têxtil é o primeiro a entrar na crise e o último a sair. O que a gente vê desde 2015, ano após ano, é a economia ir piorando”, afirma.

Hoje são 87 empresas filiadas ao sindicato que abrange Passo de Torres a Sangão. Na região, apenas 12% são grandes indústrias e o restante micro e pequenas empresas, dificultando ainda mais a permanência no mercado em meio à crise. “A maioria são empresas familiares e que não têm condições de conseguir uma linha de crédito facilitada”, acrescenta.

Sobra mão de obra 

O presidente do sindicato lembra que o momento vivido entre 2007 e 2014 era tão bom que não se tinha mão de obra disponível no mercado. “Hoje sobra mão de obra qualificada, pois as empresas ‘cortam na carne. Nenhuma empresa está fechando por incompetência, mas devido à crise’”, comenta.

Veículo: Dnsul

Seção: Notícias