A opinião de cinco empresários têxteis sobre a economia do setor em SC

Santa Catarina foi o segundo estado que mais exportou produtos têxteis no primeiro trimestre, atrás apenas de São Paulo.

Atualmente, são cerca de 10 mil empresas no ramo, que geram mais de 160 mil empregos diretos por aqui.

A expectativa de produção teve queda de 2% de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Nesse cenário, a reportagem buscou a opinião de cinco empresários catarinenses para saber quais expectativas e estratégias para se destacarem.

De Blumenau e há quase 100 anos no mercado, a Altenburg, líder no segmento de travesseiros no país, tem percebido um desafio maior no primeiro trimestre, de acordo com Tiago Altenburg, diretor de marketing da empresa:

“Percebemos que o consumo está sendo gerado apenas pela sensação de oportunidade, não de uma maneira fluída como esperávamos que voltasse a ser. Estamos crescendo no volume de peças e em valor em relação ao ano passado. Na divisão de travesseiros, a capacidade produtiva é de 1 milhão de itens ao mês. Nos demais itens, a média tem superado as 65 mil peças ao mês”.

A estratégia, de acordo com ele, é produzir cada vez mais com qualidade e “custos menores, inovações em processos e produtos que façam ter diferenciais em vários aspectos”.

A empresa conta com cerca de 1,6 mil funcionários, quadro que não deve aumentar nem diminuir neste ano.

 

Claudinei Martins, diretor Comercial e de Marketing da Kyly, de Pomerode, que anunciou em fevereiro o investimento de R$ 40 milhões com aquisição de novas máquinas e ampliação da planta da matriz, mostra otimismo para este ano:

“A perspectiva é crescer cerca de dois dígitos neste ano. O câmbio tem se mostrado favorável para incremento das nossas exportações, a inflação está sob controle e a agenda do governo é positiva para quem deseja empreender”.

A empresa tem um projeto de expansão no modelo de franquias com a marca Milon, que deve fechar o ano com cerca de 70 lojas.

O projeto de exportação para Europa deve ganhar um novo impulso com a participação na maior feira infantil do continente, a Pitti Bimbo, em junho próximo.

Atualmente contam com 1,8 mil funcionários e 1,1 mil costureiras terceirizadas. Com a novidade, a expectativa é contratar cerca de 100 profissionais para operar as novas máquinas até o fim do ano.

 

Felipe Sanchez, CEO da Global Química & Moda, com filial em Blumenau e Gaspar, destaca que há uma percepção boa em relação a retomada de crescimento e investimentos.

“A expectativa para o ano é de crescimento de 20% e já tivemos excelentes resultados no primeiro trimestre. Tivemos, por exemplo, um recorde histórico de vendas de tintas digitais em fevereiro, o que por si só já é um excelente sinal de que teremos um ano muito bom pela frente”.

O empresário conta que uma das estratégias que vão adotar é investimento em portfólio, diversificando a oferta, em busca de clientes de diversos níveis de negócios:

“Além disso apostamos em competitividade, enxugando processos, otimizando ações internas para garantir um preço mais atraente para o mercado”.

A ideia é também aumentar em 10% o quadro de funcionários até o fim do ano, especialmente na área comercial. Atualmente, contam com 50 profissionais.

 

Na Censi Máquinas, especializada no desenvolvimento de equipamentos para auxiliar a produção de itens dos setores têxtil, Sheila Censi Braun, diretora executiva da empresa com matriz em Gaspar, destaca que a expectativa é positiva e já nota uma melhora do mercado:

“Já no primeiro trimestre tivemos um crescimento de 37%, sendo que o previsto era 30%. No ao passado crescemos 30% e pretendemos manter este mesmo patamar este ano”.

 

Outra empresa que registrou crescimento no primeiro trimestre do ano foi a Hering, de Blumenau. O lucro líquido da empresa teve alta de 36% no período. Os investimentos somaram R$ 9,3 milhões em evoluções no parque industrial e automatização de processos logísticos.

 

José Altino Comper, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), acredita que as reformas em âmbito nacional que estão em tramitação serão primordiais para retomada da economia e, consequentemente da têxtil:

"Há um otimismo nesse sentido, mas ele ainda não se realizou. Muitas empresas estão em ociosidade fabril esperando o consumo aumentar e para se manterem no mercado, é preciso buscar a redução de custos e inovação. Tem que sair do básico". 

 

CAPACITAÇÃO PIONEIRA

O campus Blumenau da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) forma este ano a primeira turma de Engenharia Têxtil em Santa Catarina.

O curso pioneiro no estado e o quinto ofertado no país, já teve avaliação do Ministério da Educação e recebeu o conceito 4, considerado muito bom.

Veículo: Noticenter

Seção: Notícias