2018 foi ano ‘perdido’ para PIB brasileiro, diz economista da FGV

O ano de 2018 foi praticamente “um ano perdido” para a economia, nas palavras do economista Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV), anunciado hoje.

De acordo com a pesquisa, houve crescimento de 1,1% na atividade econômica do ano passado, resultado simular ao observado em 2017, quando a economia avançou 1%, segundo o IBGE. Na análise do economista, no entanto, o desempenho da economia no ano passado foi muito aquém do esperado, prejudicado pela greve dos caminhoneiros em maio de 2018. A paralisação “tirou” R$ 30 bilhões da economia, segundo cálculos da FGV, e elevou cautela entre empresários e consumidores — o que, na prática, levou a um compasso de espera na atividade, observou ele. Para ele, a reversão desse cenário em 2019 dependerá da capacidade do novo governo de aprovar as reformas, como a da Previdência. Isso elevaria a confiança do empresariado, que voltaria a contratar e a investir, e estimularia consumo, observou ele. 

Considera acrescentou ainda que, pela ótica do Monitor do PIB, “dezembro [de 2018] foi um desastre”. Na pesquisa, o PIB de dezembro caiu 0,4% ante novembro de 2018 – mesmo percentual de recuo observado ante dezembro de 2017. Ainda em dezembro, pelo lado da demanda, o Consumo das Famílias caiu 1% em dezembro ante novembro, com recuo de 0,3% na comparação com dezembro de 2017. Pelo lado da oferta, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 2,2% em relação a novembro de 2018, com retração de 1,8% ante dezembro de 2017. 

O especialista comentou que, antes da greve dos caminhoneiros, a expectativa era de que a economia mostrasse um crescimento entre 2,7% e 2,8% no ano passado. Até abril, a trajetória da atividade parecia promissora, avaliou ele. “Mas então ocorreu a greve dos caminhoneiros, e a parecia que o governo ia perder o comando. O país parou por duas semanas. Os empresários tiveram medo de investir, de abrir novas vagas”, afirmou.

De acordo com o economista, mais do que a perda econômica, a paralisação da categoria causou uma crise de confiança em todas as cadeias da economia, como mostraram as sondagens da época. “Toda a situação causou uma incerteza muito grande”, admitiu.

Aos poucos a economia voltou a mostrar sinal positivo, mas sem fôlego, observou o especialista. Isso é perceptível nos resultados anuais dos componentes do PIB, pela ótica do Monitor da FGV. Em 2018, o Consumo das Famílias subiu 1,8% na pesquisa, um pouco acima do observado em 2017 (1,4%). Já FBCF de 2018 teria finalizado o ano com alta de 3,7%, melhor do que o recuo de 2,5% em 2017. A economia de Serviços, por sua vez, que representa quase 70% do PIB, finalizou o ano passado com alta de 1,3% segundo a FGV, ante expansão de 0,5% em 2017.

Mas as atividades em que se esperava algum sinal de recuperação, como Construção, continuaram negativas no ano passado, de acordo com o Monitor. Em 2018, a economia do setor manteve trajetória de queda com recuo de 2,4%, menos intenso do que o de 2017 (-7,5%) mas suficiente para “frear” expansão na atividade industrial como um todo. No ano passado, a economia na indústria subiu apenas 0,4%.

Considera alertou que, até o momento, a atividade não apresenta sinais muito bons. Isso porque, em janeiro e no início de fevereiro, não há indícios de que estejam sendo feitos investimentos vultosos, ou contratações de porte, que possam fazer a diferença na retomada da economia e, com isso, acelerar a atividade. 

“Temos uma expectativa muito grande em relação à Reforma da Previdência, e em todas as reformas que precisamos fazer, para retomar investimentos”, reiterou. “Acho que, sem a reforma, a economia não vai para frente”, concluiu.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Brasil