Vamos manter apenas Petrobras, BB e Caixa, diz secretário

O governo de Jair Bolsonaro tem como uma das principais metas privatizar empresas estatais e, segundo o secretário especial de desestatização e desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, o objetivo do novo presidente é “manter apenas Petrobras, Banco do Brasil e Caixa”, e com tamanho reduzido. 

Em evento promovido pelo Credit Suisse, o secretário afirmou que “o objetivo é vender todas as estatais, e não competir com o mercado”. Mattar ainda afirmou que, com as privatizações, o governo poderia levantar entre R$ 700 bilhões e R$ 800 bilhões, que poderiam ser usados para abater a dívida pública. 

“Se vendêssemos [as estatais], poderíamos reduzir nossa dívida a R$ 3 trilhões e poderíamos investir mais em obras de infraestrutura e benefícios para população em saúde, educação e segurança”, afirmou.

Segundo o secretário, Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica devem ser mantidos, mas com tamanho reduzido. As subsidiárias, por exemplo, também devem ser vendidas. “Não há porquê o Banco do Brasil ter um banco de investimentos, por exemplo”, afirmou

Mattar ainda disse que gostaria de ver mais empresários no governo. “Seria bom se tivessem outros empresários. Faz diferença, porque nós entendemos o que é o mercado”, disse. 

O secretário ainda criticou a existência de empresas de participações do governo e afirmou que, em conversa com o ministro da Economia, Paulo Guedes, ele afirmou que era desnecessário a existência dessas companhias sob o comando do governo.

As críticas do secretário também se estenderam aos governos anteriores. Mattar afirmou que o governo petista, por exemplo, “não gostava de empresários e de lucro”.

Ele também comentou a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho (MG), da Vale. Para Mattar, pessoas responsáveis devem ser punidas, e não a empresa.

Em relação à Eletrobras, Mattar afirmou que o governo ainda estuda as possibilidades. “O pensamento no primeiro momento é capitalizá-la e perder o controle e, em um segundo momento, a gente vê o que vai fazer com a Eletrobras”.

Segundo ele, o governo deve superar entre 25% e 50% a meta de R$ 20 bilhões em privatizações em 2019.

Subsidiárias da Petrobras

Salim Mattar também afirmou que, até o fim do governo, a Petrobras deve ter vendido “praticamente todas as suas subsidiárias”. Ele afirmou que a estatal tem ineficiências, mas sob a gestão de Roberto Castello Branco a petroleira “fará um rearranjo do seu portfólio de ativos”.

“A Petrobras é uma companhia muito boa, mas não é o que anunciam em termos de produtividade e eficiência. Quando pegamos outros comparáveis, vemos que a produção de funcionário de outras companhias é o dobro”, disse. 

Ele destacou, porém, que os próximos passos da companhia são “as vendas de participações e do total de muitas subsidiárias”. “Ele [Castello Branco] tem uma visão muito clara do mundo do petróleo e do papel do governo, então a tendência é que ela faça um rearranjo em seu portfólio de ativos. Deve começar a vender participações e o total de muitas subsidiárias. A tendência é que até o fim do governo ela tenha vendido praticamente todas as subsidiárias”, disse.

Privatização dos Correios 

O secretário ainda falou sobre a necessidade de privatizar os Correios. “Já foi tempo que ele era uma máquina eficiente, não é isso mais e por incrível que pareça ainda existem vozes que desejam que ele continue estatal porque é estratégico. Mais estratégico que arroz e feijão não existe e o governo não é responsável por plantar arroz e feijão”, comentou. 

Mattar afirmou, porém, que existem “muitos grupos de interesse” relacionados às estatais, o que “dificulta as privatizações”. Ele disse que a relação com os presidentes da Caixa Econômica, Banco do Brasil e Petrobras é alinhada, mas com determinados ministros é preciso haver um diálogo para “mostrar a necessidade das privatizações”.

“Eu tenho bons objetivos pra testar minha capacidade de convencimento”, brincou. Mattar ainda afirmou que o “convencimento” da sociedade será através da comunicação, “de forma a sensibilizar a sociedade”, mostrando o quanto poderia ser investido em educação, saúde e segurança com o dinheiro gasto com estatais. “Vamos comunicar com todos os públicos, inclusive com os funcionários de estatais, que merecem essa satisfação”, apontou. 

Mattar ainda defendeu que o governo aproveite imóveis e terrenos inativos. “Não faz sentido o governo ter imóveis parados. Esses imóveis na mão do governo custam, porque são invadidos, não geram receitas, porque não têm empreendimento. Não queremos um Estado rico, mas um povo rico e um governo mais enxuto”.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Brasil