No varejo, as tendências para 2019 já estão nas ruas e na web

Moradores do centro de São Paulo já podem comprar um aparelho celular pela internet num fim de tarde e contar com seu recebimento em casa horas depois, à noite. O serviço foi colocado em teste este mês pela Via Varejo, para os sites de Casas Bahia, Ponto Frio e Extra. Assim como a varejista de eletroeletrônicos, grandes redes como Carrefour, Magazine Luiza, C&A e Riachuelo fizeram movimentos recentes que indicam como será a concorrência no varejo brasileiro em 2019. Ela envolve a integração cada vez maior das operações de comércio eletrônico e lojas físicas. Veja quais são essas tendências:
 
Entrega no mesmo dia: Nos Estados Unidos o serviço já faz parte das expectativas básicas do consumidor. Aqui, a corrida está apenas começando. A Via Varejo oferecia a opção para pedidos feitos até 12h30 em seus sites. No projeto piloto iniciado na capital paulista, em parceria com o aplicativo de entregas Rapiddo, as encomendas podem ser feitas até as 17h. A ideia é expandir o serviço para os demais bairros de São Paulo e outras cidades do país no primeiro trimestre de 2019. “Em um futuro próximo, nossas bandeiras deverão diminuir ainda mais o tempo entre a compra e o produto na casa do cliente”, afirmou, em comunicado divulgado em 12 de novembro.

Venda de alimentos pela internet: Como parte de sua estratégia para liderar o comércio eletrônico de produtos alimentícios no Brasil — um mercado ainda pequeno — o Carrefour anunciou a compra, em 6 de novembro, do site de compartilhamento de receitas Cyber Cook. Ao conhecer interesses e hábitos de consumo dos clientes, a varejista poderá, por exemplo, direcionar campanhas tanto no ambiente online, quanto nas lojas. Num futuro próximo, a integração do conteúdo do Cyber Cook à operação de comércio eletrônico do grupo deve permitir ao cliente comprar produtos citados nas receitas, assim como acessar sugestões de pratos que podem ser preparados a partir dos alimentos adquiridos online. Novas aquisições de startups para acelerar a transformação digital do Carrefour não estão descartadas.
 
Força ao “marketplace”: Em 2017, as grandes redes decidiram ampliar seu negócio de “marketplace”, shopping virtual em que o portal das marcas serve de vitrine para lojistas parceiros exporem seus produtos. Além de ganhar um percentual sobre a venda, as redes também faturam com serviços oferecidos a esses comerciantes menores.
Esse movimento se acentuará no ano que vem. O Magazine Luiza, por exemplo, anunciou que vai ampliar, ao longo do quarto trimestre, o serviço de entregas oferecido a seus lojistas parceiros. No início de novembro, Frederico Trajano, presidente da companhia, informou que o programa começou a ser testado no terceiro trimestre com 10 vendedores, teve bons resultados e será expandido. Entre as novas opções está a possibilidade do vendedor entregar o produto em uma loja da rede e, a partir daí, a encomenda ser enviada ao comprador.
 
Integração entre site e loja: Em uma iniciativa mais radical da integração comércio online e varejo físico, a C&A anunciou este mês que vai lançar semanalmente minicoleções, ou coleções cápsula. As novas peças serão apresentadas via site e aplicativo e poderão ser "experimentadas" em duas lojas — no shopping Iguatemi, na capital paulista, e no Shopping Leblon, no Rio. O consumidor que for a esses pontos poderá provar as roupas, mas não há estoque para compra imediata. O cliente fechará a transação por meio de tablets e computadores espalhados na loja. A entrega é feita no dia seguinte, na própria loja ou na casa do comprador. A intenção é apresentar novidades com mais rapidez, além das 12 coleções que a rede já coloca anualmente em suas lojas uma versão acelerada do “fastfashion”. Em dezembro, o projeto deve chegar a outras capitais.
 
Pagamento por biometria: A concorrente Riachuelo, rede do grupo Guararapes, também está testando novas tecnologias. A varejista pretende iniciar o pagamento por biometria facial até o fim do ano. Outra opção em fase de testes é o pagamento feito diretamente no provador, sem necessidade de passar pelo caixa, com o uso de tablets e smartphones pelos vendedores. A empresa também começa a instalar armários nas lojas para que os clientes possam retirar produtos comprados online sem precisar passar por um atendente. Para abrir o armário onde estará seu pedido, o cliente receberá um código de acesso em seu smartphone.

Veículo: Araújo Santhos

Seção: Notícias