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Massa salarial cresce e impulsiona o consumo em 2019, aponta Ibre

O cenário de expansão mais forte da economia previsto para 2019 deve contar com maior poder de fogo do consumo. Nas projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a massa salarial ampliada disponível, que soma rendimentos do trabalho e benefícios governamentais, vai acelerar a alta de 1,5% para 2% entre este ano e o próximo, impulsionada pela melhora no mercado de trabalho. 

Seriam R$ 9 bilhões, a preços de outubro. O cálculo engloba, além da combinação do salário médio real e do contingente de trabalhadores, a evolução dos ganhos de programas de proteção social, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e os benefícios previdenciários. Aliado ao fôlego maior na renda disponível, economistas avaliam que o menor endividamento e a inadimplência das famílias, com juros ainda baixos, também vão contribuir para avanço maior da demanda. 

Um dos pesquisadores responsáveis pela estimativa, ao lado do economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, Daniel Duque pondera que não é possível projetar como será o comportamento dos benefícios previdenciários e assistenciais no próximo ano, que dependerão das diretrizes do novo governo. Mesmo assim, diz, a massa tende a mostrar desempenho um pouco mais expressivo em razão da renda do trabalho, que representa 73% do total de rendimentos.

O ganho de ímpeto da atividade - no cenário do Ibre, o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer 1,5% em 2019 - deve propiciar aumento das contratações, afirma Duque, assim como composição de maior qualidade do emprego, com alta na participação de vagas formais. Nas projeções da entidade, a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, vai recuar para cerca de 11% na passagem de 2018 para 2019.

Com o mercado mais dinâmico, a tendência é que o poder de barganha dos trabalhadores aumente, acrescenta o economista. Assim, os ganhos reais dos ocupados também vão ajudar, além da geração de vagas, na expansão maior prevista para a massa de renda para o ano seguinte. "Isso será um longo caminho, porque o desemprego ainda está muito alto, mas os reajustes salariais devem ser maiores", disse. 

Em 2017, a massa ampliada teve crescimento mais significativo, de 3,5%, observa Duque, mas, naquele ano, as famílias estavam com fatia maior do orçamento comprometida com dívidas. Por isso, parte maior da renda extra foi reservada ao pagamento de empréstimo e financiamentos. Agora, embora a expansão prevista para o total de rendimentos seja mais tímida, as pessoas podem destinar maior parte da renda ao consumo do que para reduzir seu endividamento. 

Sinal disso, em sua avaliação, é a alta de 4,7% no indicador que mede as compras previstas de bens duráveis entre setembro e outubro. A expansão mensal do índice, que integra a Sondagem do Consumidor, foi a maior desde maio, nota o pesquisador.

"Temos um nível de endividamento mais próximo da média de 2010, que permite que as pessoas consigam respirar", comentou. Segundo dados do Banco Central, o comprometimento mensal de renda das famílias com dívidas caiu 0,6 ponto percentual entre agosto de 2017 e igual mês de 2018 (última atualização disponível), para 19,95%. 

Segundo estimativa da Tendências com base em série calculada pela consultoria, o comprometimento mensal da renda ficou em 25,4% no terceiro trimestre. A parcela destinada a quitar dívidas é maior porque a Tendências considera operações à vista no cartão de crédito também como dívida, além do serviço da dívida com o Sistema Financeiro Nacional. Outra diferença é que o conceito de renda da consultoria é menos abrangente e exclui dados de Previdência e seguro-desemprego, entre outros.

O indicador da Tendências também mostra trajetória de queda no comprometimento, que diminuiu 0,7 ponto sobre o terceiro trimestre de 2017. Na média anual, a economista Isabela Tavares estima que o índice vai recuar entre 2018 e 2019, de 25,5% para 24,7%. Segundo Isabela, a redução é explicada pela queda prevista nas taxas de juros do mercado de crédito. 

Mesmo com a Selic estável em 6,5% ao ano até meados do ano que vem - a expectativa é que o BC comece a elevar os juros em algum momento de 2019 -, os spreads para pessoa física devem continuar caindo, diz, devido ao menor nível de inadimplência das famílias e, também, a medidas da autoridade monetária para baixar o custo do crédito.

Assim, segundo Isabela, "teremos uma situação financeira um pouco melhor das famílias. A redução dos juros ajuda no pagamento das dívidas, abrindo espaço para o consumo". Para a Tendências, a demanda das famílias crescerá 2,7% no ano que vem, 0,9 ponto acima do previsto para 2018.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Brasil



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