Seria possível vender US$ 100 bilhões de reservas, afirma Guedes

Futuro ministro da Economia (atual Fazenda) no governo de Jair Bolsonaro (PSL), o economista Paulo Guedes afirmou que seria possível vender US$ 100 bilhões de reserva. A proposta começou a ser debatida há cerca de um mês, quando o dólar estava a R$ 4,10. “Se chegar a R$ 4,20, a R$ 5 vai ser muito interessante porque vamos vender US$ 100 bilhões de reserva, são R$ 500 bilhões”, disse o economista. 

Segundo ele, a próxima gestão venderá as reservas internacionais se houver especulação sobre o câmbio no país. Guedes detalhou a proposta do futuro governo, antecipada pelo Valor, e disse que se houver ataque especulativo “não tem problema”. “Vai acelerar o nosso ajuste fiscal.”

A venda das reservas internacionais, segundo Guedes, será feita apenas em um cenário de crise. “O dólar está a R$ 3,60. Para que vou vender dólar? Para derrubar importação? Para empurrar para baixo?”, disse, ao chegar na casa do empresário Paulo Marinho, no Rio. De acordo com ele, não haverá meta para câmbio.

“Se houver especulação contra o governo e jogarem o dólar para cima, não tem problema nenhum, não temos receio nenhum”, reiterou Guedes, por diversas vezes. “Pode vir, pode especular contra, não tem problema nenhum”, repetiu. “Se tiver crise e botarem o dólar lá em cima, R$ 4, R$ 5 será ótimo. Vamos reduzir dramaticamente a dívida interna. Quem quiser dólar nós vamos vender e depois vamos reduzir a dívida interna.”

BC

O futuro ministro disse que o próximo governo vai aprovar um projeto que garanta autonomia ao Banco Central, com mandatos não coincidentes com o de presidente da República. Guedes afirmou ainda que a intenção da gestão Bolsonaro é fazer um “regime fiscal robusto”.

De acordo com ele, a permanência de Ilan Goldfajn no BC seria natural. Mas disse que ainda não conversou com o atual presidente do Banco Central. Guedes ressaltou que não quer falar com “alguém que não tenha o desejo de ficar”. "A motivação é fundamental”, afirmou. Guedes citou ainda que Ilan assumiu o cargo “por acidente”.

“Ilan ficou dois anos com Temer. O desenvolvimento natural qual seria? Eu defendo há 30 anos um BC independente. O Ilan tem uma proposta de BC independente. O que seria a coisa mais natural do mundo? Eu dar um abraço no Ilan e falar que defendo há 30 anos BC independente. Ele falaria que tem um projeto de BC independente. A gente vai junto, aprova o projeto, você ficou dois anos e ficaria mais dois anos”, afirmou. 

Guedes disse que essa eventual permanência do presidente do BC teria que ser combinada com a equipe de Bolsonaro e com Ilan. O economista afirmou ter conversado com o atual presidente do BC há algum tempo e não recentemente, quando o ministro da Fazenda e Ilan chamaram os assessores econômicos dos candidatos à Presidência para conversar.

A equipe de Bolsonaro se reúne com o presidente eleito nesta terça-feira para definir o time de transição e do futuro governo, assim como as primeiras medidas da gestão.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Política