"Existem derrotas eleitorais que são vitórias políticas", diz Napoleão Bernardes (PSDB)

O candidato a vice-governador na chapa de Mauro Mariani (MDB), Napoleão Bernardes (PSDB), falou pela primeira vez à NSC após as eleições em Santa Catarina. Napoleão, que cumpria mandato como prefeito reeleito de Blumenau quando resolveu concorrer pela primeira vez a um pleito majoritário, disse que, por respeito aos que disputam o segundo turno em SC, preferiu não se manifestar antes. 

A coligação de Mariani e Napoleão ficou em terceiro lugar no primeiro turno ao conquistar cerca de 836,8 mil votos, o equivalente a 23,21% do total. Ainda às vésperas da campanha, a expectativa era de que Napoleão saísse candidato ao Senado, mas os ventos mudaram, e o jovem prefeito aceitou o convite de Mariani para tentar a corrida ao governo do Estado. O tucano diz que não se arrependeu da decisão e pondera que, em primeiro lugar, é grato e valoriza a oportunidade.

— Tenho comigo que existem derrotas eleitorais, que é não vencer a eleição. Portanto, não me tornei vice-governador, mas existem derrotas eleitorais que são vitórias políticas. Ou seja, se sai maior, com mais densidade, com mais visibilidade. Penso que, no meu caso específico, acabou sendo uma vitória política, aos 35 anos, ter sido escolhido para participar do pleito majoritário. Tive uma visibilidade estadual, grande destaque na coligação, respeito das lideranças políticas estaduais, da população como um todo. Então, foi uma derrota eleitoral, mas foi uma vitória política — define Napoleão. 

O tucano pontua ainda que a decisão de não ter tentado o Senado não foi algo que partiu apenas dele, mas que foi reflexo do momento em que o partido vivia.

— Não me arrependo porque a gente só se arrepende de decisões possíveis. A conjuntura partidária e da coligação não me permitiu essa possibilidade de disputar o Senado. Muitos têm a leitura de que se eu tivesse disputado o Senado, até dentro dessa contingência da renovação e do desejo de mudança, o resultado poderia ter sido positivo, mas não há o que se arrepender, de uma decisão que não é uma escolha pessoal. Foi fruto da contingência da coligação e das circunstâncias — garante. 

Napoleão também avalia que o resultado da eleição para governador em SC, que terminou com Carlos Moisés da Silva (PSL) eleito, "indica o desejo da população pela renovação e pela mudança das práticas políticas" e que foi um voto alinhado ao momento nacional. Já sobre a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente, considera que "foi uma demonstração clara e inequívoca do sentimento de rejeição a determinadas práticas dos governos Dilma e Lula". Ao ser questionado se votou nos candidatos do PSL, riu e desconversou. Alegou que o voto é secreto e que as eleições já passaram.

Ainda sem planos para a próxima eleição geral, em 2022, e sem poder tentar novamente a prefeitura de Blumenau, por já ter sido reeleito há dois anos, Napoleão se dedica à vida acadêmia, dando aulas de Direito Penal na Furb, em Blumenau – e, certamente, à família agora que é pai.

— Quatro anos são uma longa jornada. Já voltei às minhas atividades acadêmicas. Sou professor universitário, voltei para a sala de aula e devo, a partir do ano que vem, ter acesso ao meu doutorado, que foi um projeto que suspendi com a minha eleição a prefeito em 2012 — conclui.

Veículo: Diário Catarinense

Seção: Notícias