"Quem vai mandar no Brasil serão os capitães"

No Dia do Professor, a única agenda pública do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi visitar, ontem, a mais famosa tropa de elite da Polícia Militar do Rio de Janeirio. Em tom de campanha, na sede da corporação, Bolsonaro almoçou e conversou com integrantes do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), em Laranjeiras, na zona sul do Rio. Ao se despedir do grupo e prestar continência ao comandante do Bope, tenente-coronel Alex Benevenuto Santos, Bolsonaro fez graça: "Estou dando continência para o coronel, mas quem vai mandar no Brasil serão os capitães." 

Pouco antes, o candidato - que é capitão reformado do Exército - encerrou sua fala dizendo que, caso se eleja, dia 28, "teremos um dos nossos lá em Brasília". E gritou, junto com os PMs: "Caveira!" A imagem de dois revólveres que se cruzam e uma faca enfiada num crânio é o símbolo do Bope. O grito de guerra do batalhão ficou conhecido pelo filme "Tropa de Elite". 

Parte do encontro foi divulgada num vídeo de quase seis minutos no Facebook. A imprensa não teve acesso à visita - realizada nas dependências de um órgão público - e o deputado saiu sem falar com os repórteres. Em determinado momento, Bolsonaro dirige-se ao tenente-coronel e pontua: "Isso não é campanha, comandante". Mas, no discurso, fala de política e promete o que considera melhores condições de trabalho para os policiais, como a aprovação do projeto que permite o excludente de ilicitude para mortes provocadas por forças de segurança.

"Temos que preservar a vida humana das pessoas de bem, e vocês são as pessoas de bem", disse. Em seguida completou: "A gente sonha, comandante, com o excludente de ilicitude, não é apenas para vocês, mas para todo e qualquer cidadão de bem. Isso existe na legislação americana. Após o cumprimento de uma missão, vocês têm que ser condecorados e não processados". 

Na gravação, Bolsonaro lembrou que o PSL conseguiu a segunda maior bancada na Câmara, "sem televisão, sem fundo partidário, sem nada". "Isso vem de gente como vocês. Então nós temos que acreditar e tentar mudar. Eu acho que isso é possível, afinal de contas, não temos outro caminho", disse.

Mesmo sem pedir votos explicitamente, Bolsonaro deu o tom eleitoral. "Peço que vocês se coloquem um segundo no meu lugar. A quantidade de problemas que o Brasil tem para resolvê-los... Mas se não for alguém com o nosso perfil para tentar mudar, vai continuar no que está para pior. Então é uma missão de Deus", discursou.

O presidenciável, que concorre no segundo turno contra Fernando Haddad (PT), disse que "está na cabeça de vocês qual deve ser essa pessoa que poderia provavelmente dar a esperança de ter os valores familiares respeitados, respeitando a criança e a garotada em sala de aula. Fugimos da ideologia que nos afeta há décadas. E ter a independência que eu tenho de formar um ministério isento para trabalhar para o povo brasileiro e não para agremiações político-partidárias". 

Aos professores, Bolsonaro escreveu no Facebook: "A inversão de valores dificulta a autoridade do professor em sala de aula. São muitos os relatos e registros de agressão, desrespeito e humilhação. Resgatar a referência que sempre representaram é também uma forma de valorizá-los. Também como professor de educação física que sou digo-lhes que estamos juntos na construção do Brasil que merecemos!" 

Veículo: Valor Econômico

Seção: Política