Com cenário externo, Bolsa avança acima de 1% e dólar opera estável

Embalado por ventos favoráveis do exterior, com as principais bolsas em alta e o avanço mais forte das cotações das commodities num contexto de fraca agenda de dados econômicos, a Bolsa brasileira dá prosseguimento à trajetória de recuperação e inicia a segunda etapa da sessão de negócios buscando se firmar nos 78 mil pontos – nível no qual operou pela última vez no dia 30 de agosto passado.

Às 12h32, o Ibovespa avançava 1,47%, aos 77.914,24 pontos e já acumulava ganhos de 3,29% na semana e de 1,61% no mês. O volume financeiro era de R$ 5 bilhões com perspectiva de chegar ao final do dia em R$ 13 bilhões.

Shin Lai, analista da Upside Investor Research, avalia que a Bolsa se move hoje em sintonia com fatores internacionais, como o avanço das commodities. Os contratos futuros do petróleo no mercado internacional operaram durante toda a manhã com ganhos oscilando entre 1% e 2%. O minério de ferro ficou com valorização de 2,47% no porto de Qingdao, na China.

A força dessas cotações puxa ações de empresas a elas relacionadas tanto no exterior quanto por aqui, em especial Petrobrás, Vale e suas correlatas. Às 12h25, os papéis a petroleira brasileira avançavam 2,80% (ON) e 3,14% (PN) e os da mineradora ganhavam 3,23% (ON). Entre as blue chips – ações mais negociadas –, também o bloco financeiro, que tem peso relevante na carteira teórica, faz a diferença, com destaque para Banco do Brasil ON que tinha ganhos de 2,99% e as units do Santander, em alta de 2,73%.

A tensão sobre a disputa comercial na qual os Estados Unidos tem protagonismo não pesou tanto sobre os ativos nesta terça-feira, uma vez que a sobretaxa contra a China anunciada já estava precificada. Isso abriu caminho para os ganhos pelas bolsas ao redor do mundo com efeitos positivos por aqui. "O mercado está dando um respiro momentâneo dentro de uma janela de curto prazo", diz Lai, que enfatiza que o movimento de alta não pode ser confundido com uma tendência, ao menos, até o fim do período eleitoral.

Dólar

Depois de uma manhã de vaivém na cotação, o dólar inicia a tarde estável no mercado à vista. A pressão de baixa vem do exterior e a de alta vem da incerteza eleitoral à espera da divulgação da pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo num dia de agenda fraca no Brasil e no exterior. No mercado global de moedas, o dólar cai perante a maioria das moedas emergentes nesse início de tarde.

"Quanto mais perto da eleição, a tendência é de aumento de busca de proteção", diz o sócio e gestor da Absolute Investimentos, Roberto Serra. "O que se tem hoje é a total falta de visibilidade do que pode acontecer", diz Serra.

A 19 dias do primeiro turno, ainda é inviável prever quem irá para o segundo turno. Nesse contexto, os agentes do mercado aguardam algum novo diagnóstico na pesquisa Ibope prevista para hoje à noite. Investidores e analistas querem entender como está a transferência dos votos do Lula, o ritmo de crescimento nas preferências de Fernando Haddad (PT), o tamanho da rejeição de Jair Bolsonaro (PSL), o grau de estagnação do candidato com maior tempo no rádio e TV, o tucano Geraldo Alckmin.

Um destaque foi a proposta para o mercado de câmbio do economista Mauro Benevides Filho, colaborador da campanha de Ciro Gomes (PDT). Em sabatina hoje promovida pelo Grupo Estado e pela FGV em São Paulo, Benevides Filho afirmou que, no eventual governo de Ciro, será criado um comitê para decidir sobre intervenções no câmbio. O comitê seguirá o mesmo formato do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. "As intervenções precisam ser melhor equacionadas. Não faz sentido um cara, sozinho, definir o rumo do câmbio com US$ 120 bilhões em swaps cambiais", declarou o economista na sabatina. Benevides ressaltou que a medida traria "mais transparência" à gestão cambial. "O Copom tem uma atuação bem clara e definida, pautada por critérios técnicos. É isso que queremos levar ao câmbio", complementou.

Às 12h21, o dólar à vista estava estável aos R$ 4,1293. O contrato para outubro recuava 0,16% aos R$ 4,1330. No exterior, o dólar perdia 0,23% para o peso mexicano, recuava 0,99% ante o rublo russo, mas subia 0,62% perante a lira turca. O Dollar Index (DXY) subia 0,07% 94,56 pontos.

Veículo: Estadão

Seção: Economia e Negócios