Após bater R$ 4,19 com cena externa e cautela eleitoral, dólar desacelera

Após ter alta de 2,12% no primeiro pregão do mês de setembro, o dólar iniciou os negócios desta terça-feira, 4, em novo movimento de valorização. Na máxima do dia a moeda chegou a R$ 4,1938. Às 14h05, a moeda desacelerava os ganhos e operava em alta de 0,40% aos R$ 4,1670.

Os motivos são as preocupações com a guerra comercial global e com os investidores cautelosos diante das eleições presidenciais no Brasil e novas pesquisas de intenção de votos. Já a Bolsa operava em queda de 1,30%, às 13h52, também contaminada pelo tom negativo no mercado externo.

“O mercado aguarda os desdobramentos das negociações entre os Estados Unidos e o Canadá, além da imposição de novas alíquotas já anunciadas pelo governo norte-americano aos produtos chineses. Com isso, o clima segue de cautela, o que tem atingido, além das bolsas europeias, as moedas dos países emergentes”, escreveu o Banco Bradesco em relatório.

Além disso, Trump estaria preparado para acelerar rapidamente a guerra comercial com a China e poderia estar pronto para impor mais tarifas às importações chinesas.

No exterior, o dólar tinha forte avanço ante uma cesta de moedas e sobre moedas de países emergentes, com destaque para o rand, depois que a África do Sul entrou em recessão no segundo trimestre pela primeira vez desde 2009.

As atenções também continuavam voltadas para a Argentina, onde o governo anunciou novos impostos e cortes de gastos na véspera para tentar equilibrar o orçamento e antecipar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Internamente, as atenções seguiam voltadas para o cenário eleitoral, com a expectativa pela divulgação da pesquisa Ibope de intenção de votos depois do fechamento do mercado. O levantamento é o primeiro depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder em todas as pesquisas eleitorais.

O Partido dos Trabalhadores, no entanto, pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão e prorrogar ao máximo a exposição de Lula para impulsionar a transferência de votos ao provável sucessor, Fernando Haddad.

O mercado vê o PT como menos comprometido com as contas públicas e, por isso, assume posturas defensivas diante da possibilidade de a legenda avançar para o segundo turno.

Também está prevista nova pesquisa do Datafolha para quinta-feira, 6.

Com a pressão sobre o câmbio, os investidores estavam atentos à ação do Banco Central brasileiro. Por ora, a autoridade monetária não anunciou intervenção extraordinária, a exemplo do que fez na semana passada depois que o dólar superou R$ 4,20.

O BC realiza nesta sessão leilão de até 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de outubro, no total de US$ 9,801 bilhões.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

O maior valor de fechamento da moeda americana ocorreu no dia 21 de janeiro de 2016, quando fechou o dia cotada a R$ 4,1705, maior cotação desde o Plano Real. Na época, o mercado refletiu ruídos de comunicação na política monetária do Banco Central, que manteve a taxa Selic em 14,25%, quando agentes do mercado esperavam uma elevação da taxa.

Bolsa opera em queda com cenário externo desfavorável

A bolsa paulista mostrou fraqueza na manhã desta terça-feira, contaminada pelo tom negativo no mercado externo, particularmente em emergentes, com a África do Sul também no radar ao entrar em recessão técnica, enquanto investidores aguardam pesquisa eleitoral no final do dia.

Às 13h53, o Ibovespa caía 1,32%, a 75.197,90 pontos. O volume financeiro somava R$ 1,6 bilhão.

Conforme destacou a equipe da Coinvalores, temores em relação à situação dos países emergentes voltaram com tudo com a notícia da África do Sul entrando em recessão técnica após mais um trimestre de queda no Produto Interno Bruto (PIB), segundo nota distribuída a clientes.

“O país africano se junta a Argentina e Turquia como principais focos da crise que ameaça as economias emergentes”, afirmou a corretora.

O viés desfavorável no cenário global era ainda endossado pela falta de um acordo comercial entre Estados Unidos e Canadá e a perspectiva de nova elevação de tarifas entre EUA e China.

Wall Street retornou do fim de semana prolongado por feriado na segunda-feira com os seus principais índices acionários em queda, dadas as preocupações com as disputas comerciais envolvendo Washington.

No ambiente doméstico, o foco continua voltado para a disputa eleitoral, com agentes financeiros aguardando pesquisa Ibope sobre a preferência dos eleitores para a Presidência da República, que incluirá tanto cenário com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad em nome do PT.

Veículo: Estadão

Seção: Economia e Negócios