Crescem alternativas de negócios voltados ao público sênior

O aumento da expectativa de vida e a universalização da seguridade social fizeram do idoso uma camada de consumidores atraente no Brasil. Segundo o IBGE, a participação dos indivíduos com mais de 60 anos na população total do país saltou de 9,8% em 2009 para 14,6% em 2017. Nos últimos cinco anos, o grupo cresceu 18%. Hoje são 30,2 milhões de pessoas, das quais 3,5 milhões têm mais de 80 anos, 82% recebem benefícios da previdência social e 71% são financeiramente independentes.

Incluídos os maiores de 50 anos, o segmento maduro compõe um quarto dos brasileiros e um volume de consumo anual superior a R$ 1 trilhão. Entretanto, já em 2015, pesquisa do SPC indicou carência de produtos e serviços para o segmento, com desafios como tamanho de letras em embalagens, desconforto em relação a luz e som no varejo e dificuldades com tecnologia. Estudo da Mind Miners, de fevereiro, também indicou espaço para melhorar o atendimento deste público. Entre os 863 entrevistados acima de 50 anos (80% com renda acima de R$ 2,7 mil) 57% sentem falta de serviços específicos para a faixa etária, como cursos livres e produtos em áreas como beleza e vestuário. 

Mas já existem iniciativas para atender esse consumidor. A Multilaser criou celulares com teclas maiores que "falam" os números, botão SOS e interface mais simples. Dois são simples (feature phones) e representam 40% das vendas da categoria. O outro é um smartphone 3G, lançado em 2017, diz o gerente de desenvolvimento Victor Vidal. A DL lançou o TabFácil 3G, com ligações por voz, SMS, 7,8 polegadas, ícones maiores, lembretes para medicações e aplicativo SOS. Segundo o coordenador de marketing Kleber Ribeiro, em 2017 foram 80 mil unidades vendidas. O CPqD, por sua vez, desenvolveu o aplicativo Facilita para simplificar o uso de smartphones, com configuração do tamanho de letras, funções de fala para ouvir funções do aparelho e navegação por deslizamento do dedo.

As academias também estão atentas ao segmento. Na carioca Body Limits, dos 800 alunos 150 têm mais de 50 anos e cerca de 30 utilizam acompanhamento semi-personalizado e aulas coletivas especializadas criados para este público. Em Porto Alegre (RS), o educador físico especializado no segmento Rafael Soares foi mais longe e criou em 2009 o Viva Club, com atividades físicas, lazer, atividades culturais e de socialização, incluindo cursos de teatro e ações de responsabilidade social, para pessoas acima de 65 anos. Com apoio do Sebrae, Soares está implementando franquia, com investimento mínimo de R$ 130 mil. 

O potencial estimulou serviços de consultoria e startups. A Senior Social, estabelecida no Cubo, em São Paulo, auxilia empresas na gestão do relacionamento com o mercado sênior. Edgar Werbowlisky, pioneiro em ecoturismo e dirigente da Freeway, promove eventos para discutir o segmento. Criada por Morris Litvak, a MaturiJobs, plataforma que reúne vagas de trabalho para o público sênior, também oferece conteúdos sob assinaturas e eventos de networking para estimular novas formas de trabalho e empreendedorismo. Já a plataforma Morar.com.br, que promove o compar tilhamento de residências, agora vai ter foco no sênior. "A demanda é maior, com motivações como envelhecer com apoio e ter companhia", diz Veronique Forat. 

O turismo é outro segmento que se volta ao público maduro. Segundo a Mind Miners, a atividade absorve 4% de suas despesas - os maiores gastos, claro, são educação e saúde. Há dois anos a Donato Viagens, inaugurada em 1995, dedica-se aos viajantes com idade média de 70 anos. A cada ano leva de 10 e 12 grupos de no máximo 30 viajantes, experientes e abonados, a destinos principalmente no exterior, com cuidados como mais tempo para passeios e descanso e menos deslocamentos. A agência de intercâmbio Descubra o Mundo também vê o crescimento do público com mais de 50 anos, responsáveis por 15% das quase 12,5 mil viagens vendidas no ano passado, diz o fundador Bruno Passarelli.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Empresas