Dólar termina em alta de 0,33% e Bolsa volta a fechar acima dos 80 mil pontos

A espera pelas reuniões de política monetária de três dos principais bancos centrais do mundo - Banco do Japão (BoJ), Federal Reserve (Fed) e Banco do Inglaterra (BoE) -, que acontecem ao longo desta semana, manteve os investidores ao redor do globo na defensiva nesta segunda-feira, 30, marcada pela baixa liquidez. 

O dólar terminou em alta, subindo 0,33%, cotado a R$ 3,7294. No mercado acionário, o Ibovespa encerrou com ganho de 0,51%, acima dos 80 mil pontos, impulsionado principalmente por papéis de bancos, a despeito da queda dos índices em Wall Street, que se mantêm pressionados pela fuga de ações do setor de tecnologia.

O dia foi de expectativa pela agenda carregada de evento dos próximos dias, que terá reuniões de política monetária de três dos principais bancos centrais do mundo, além de indicadores importantes, como os dados mensais do mercado de trabalho dos Estados Unidos. 

"Os grandes eventos desta semana estão a caminho", ressalta o estrategista do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH), Marc Chandler. Ele destaca que um dos mais esperados e com chances de influenciar os mercados é a reunião do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). O encontro termina na noite desta segunda-feira e pode mudar a meta de retorno dos bônus japoneses, fator que tem provocado preocupações nos investidores, pois pode afetar os mercados de câmbio e juros na Europa, EUA e outros países.

Internamente, um dos principais eventos é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa nesta terça-feira e termina no dia seguinte.

O economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, acredita que o comunicado da reunião vai mostrar um BC "paciente", sem fornecer pistas específicas para a reunião seguinte. A estabilização do câmbio nas últimas semanas, após a disparada em abril e maio, aliada à fraca atividade econômica e às expectativas de inflações ancoradas devem contribuir para o BC manter os juros. 

Bolsa

Mesmo com a nova rodada de quedas nas bolsas de Nova York, o Índice Bovespa encontrou espaço para avançar moderadamente nesta segunda-feira, reconquistando o patamar dos 80 mil pontos. A bolsa chegou a operar em leve baixa pela manhã, mas ganhou fôlego à tarde, apoiado em ações dos setores financeiro e de commodities. Apesar do tom positivo, o volume de negócios foi pouco expressivo, somando R$ 7,4 bilhões, em reação a decisões de política monetária do Japão, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil.

Por outro lado, uma percepção de melhora no quadro eleitoral e a expectativa de balanços positivos na atual safra continuaram a impulsionar alguns dos papéis de maior peso na bolsa. A um pregão do final de julho, o Ibovespa acumula ganho de 10,33%.

"Foi um dia em que o que chamou a atenção foi o setorial, tendo os bancos como destaque de alta, em meio a rumores de que o balanço do Itaú Unibanco será favorável. Além disso, trata-se de um setor que tem se mostrado bastante sólido, crescendo mesmo em meio a juros baixos e à economia mais fraca", disse Daniel Xavier, economista-chefe do DMI Group. 

Entre as ações do setor financeiro, a maior alta foi do Santander, que subiram 2,47%, seguidas por Itaú Unibanco PN, com ganho de 1,45%. Por outro lado, o economista apontou ações ligadas ao consumo doméstico como destaque de baixa, refletindo justamente a questão do crescimento econômico mais lento.

A chegada do Ibovespa aos 80 mil pontos às vésperas do mês de agosto é, segundo alguns profissionais, um possível limitador para o índice. Isso porque, faltando pouco mais de dois meses para o primeiro turno, a eleição presidencial segue como uma incógnita para o investidor.

"A proximidade de eventos importantes durante a semana retrai o investidor, mas a bolsa em 80 mil pontos não anima muito, uma vez que ainda há um longo caminho até que as pesquisas eleitorais comecem a mostrar resultados mais concretos", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora.

O pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda a empresários de Minas Gerais que seu vice será definido "sem correria", até sábado, quando acontece a convenção do PSDB, e que o escolhido não será do seu partido nem de São Paulo. "Temos bons nomes, que seguirão essa linha da redução do Estado e foco no crescimento e aumento da renda".

Veículo: Estadão

Seção: Economia e Negócios