Alckmin cogita 'marco regulatório sindical' e rejeita volta de imposto

O pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, afirmou que “não há hipótese de voltar o imposto sindical”, e anunciou a criação de um “marco regulatório sindical” para reduzir o número de sindicatos, caso ele seja eleito presidente em outubro. 

Alckmin afirmou que a decisão sobre pagar ou não um sindicato cabe aos trabalhadores. “São eles que vão se organizar e definir se vão pagar”, afirmou o exgovernador durante a entrevista ao programa Roda Viva, da “TV Cultura”, que foi ao ar na noite de segunda-feira (23). 

A reforma trabalhista aprovada em 2017 pelo Congresso acabou com o imposto sindical e tirou a principal fonte de recursos dos sindicatos de trabalhadores. Um dos partidos do Centrão, que passou a apoiar Alckmin desde a semana passada, o Solidariedade, que é presidido por Paulinho da Força, condiciona o apoio à volta de alguma forma de financiamento. 

Alckmin teria prometido uma contribuição negocial, a ser acordada entre trabalhadores e sindicatos, mas o ex-governador não confirmou a informação durante a entrevista.

Ele reconheceu que deu apoio à reforma trabalhista porque ela é necessária, para dar estímulo aos empreendedores, e afirmou que o imposto sindical “é uma coisa cartorial”.

A proposta de um marco regulatório sindical, segundo Alckmin, tem o objetivo de “ficar só com os sindicatos que efetivamente funcionem”. “Temos mais de 16 mil sindicatos, sendo 11,5 mil de trabalhadores, além de mais de 5 mil patronais. Grande parte nunca fez convenção. São fruto de medidas cartoriais”, disse.

Ministério do Trabalho

Na entrevista, Alckmin também cogitou a extinção do Ministério do Trabalho se for eleito presidente. Ele foi questionado sobre a permanência do PTB, do ex-deputado Roberto Jefferson, no Ministério do Trabalho em seu eventual futuro governo. Alckmin negou que o partido continuará no ministério e concluiu: “Estou estudando nem ter mais o Ministério do Trabalho”. 

O ex-governador deu a resposta no contexto das concessões que terá de fazer para ser eleito e também para governar. Ele lembrou que o PTB não faz parte do seu bloco de apoio, mas negou que o Centrão (PR, DEM, PRB, PP e Solidariedade), que fechou a aliança com sua candidatura na semana passada, signifique uma concessão a partidos com programas distintos do PSDB em torno de um projeto para ganhar a qualquer custo a eleição.

“O quadro de fragmentação partidária fragiliza a todos os partidos, inclusive o PSDB. Estamos atrás dos apoios necessários. Quem não quer o apoio de cinco grandes partidos, questionou ele. “Não tem nada de toma lá dá cá. Precisamos de apoios, buscar consensos”, afirmou.

Escolha do vice

Alckmin disse ainda que a escolha do vice em sua chapa “é uma construção”, caso o nome do empresário Josué Gomes (PR) seja de fato descartado, conforme notícias após o almoço entre os dois em São Paulo na segunda-feira.

Josué teria se mostrado reticente e dito a Alckmin para que ficasse à vontade para escolher outro nome, o que não foi confirmado pelo ex-governador durante a entrevista ao programa Roda Viva, da “TV Cultura”.

“Se Josué for o vice, será uma honra. Ele é um empreendedor, tem espírito púbico e é filho do José Alencar, grande empresário e por oito anos vice-presidente [no governo Lula], mas vice é a última coisa que se escolhe”, afirmou Alckmin, que completou: “Se não for Josué, vamos atrás de outro nome, é uma construção, que será lá na frente”.

Josué é uma unanimidade dentro do Centrão, bloco formado pelo PR, DEM, PRB, PP e Solidariedade, que fechou apoio a Alckmin na semana passada. Cacique do PR, Valdemar Costa Neto indicou Josué e participou do almoço da segunda-feira, mas saiu antes do fim do encontro.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Política