Sem insumos, indústrias do Vale reduzem produção e dispensam funcionários

Desabastecidas e sem reposição regular de insumos desde o início da paralisação dos caminhoneiros, na última semana, várias indústrias do Vale estão cortando turnos de produção. Funcionários que conseguem chegar até as fábricas – a locomoção de muitos ficou comprometida com a falta de combustíveis – tiveram a carga de trabalho reduzida. Em vários casos, estão sendo mandados para casa, sem desconto de salário. O feriadão começou mais cedo para muita gente.

Na região, o setor têxtil é um dos mais afetados. O presidente do Sintex, José Altino Comper, diz que praticamente todas as indústrias do setor foram ou serão atingidas de alguma maneira, seja pela falta de matéria-prima ou pela dificuldade dos trabalhadores chegarem ao trabalho. Na gasparense Círculo, comandada pelo empresário, a produção será reduzida por uma semana a partir desta quarta-feira.

A assessoria de comunicação do sindicato dos trabalhadores do ramo têxtil da região, o Sintrafite, confirma paralisações de indústrias de Gaspar e Indaial. Em Blumenau, ainda conforme o Sintrafite, empresas como Lancaster e Coteminas também interromperam as atividades em alguns setores.

Na Karsten foi criado um grupo interno de trabalho para gerenciar as consequências do movimento dos caminhoneiros. Em comunicado oficial, o presidente Armando Hess de Souza garantiu que as atividades da empresa continuarão normalmente, sem previsão de interrupção.

Em Pomerode, a associação empresarial local (Acip) foi informada que a Kyly deu férias coletivas e os funcionários só retornarão ao trabalho no dia 11 de junho. Conforme o presidente da Acip, Peter Volkmann, a Cativa é outra empresa que opera parcialmente. Indústrias do ramo plástico do município igualmente sofrem com o desabastecimento.

O sindicato das indústrias metalúrgicas, mecânicas e do material elétrico de Blumenau e região (Simmmeb) também relata prejuízos, com várias empresas atingidas. A WEG avalia se dará folga para parte dos funcionários.

A Acib divulgou nota referendando a posição da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). A entidade defende o diálogo, mas pede a desmobilização do movimento diante de um quadro de significativos prejuízos financeiros para as empresas. O presidente Avelino Lombardi subiu o tom e cobra ações mais enérgicas do governo do Estado para garantir o desbloqueio de estradas.

Impactos em todo o Estado

Levantamento feito pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) com 905 grandes empresas de todo o Estado revela que 86% delas foram muito ou totalmente afetadas pelo movimento dos caminhoneiros. Em 30% há registros de paralisações. No Vale, 70% das atividades foram muito ou totalmente afetadas, ainda conforme os números divulgados pela federação na terça-feira.

Metade dessas grandes empresas estima um prejuízo acima de 20% no faturamento mensal. Para 89%, as atividades só serão completamente normalizadas 20 dias após o fim da greve.

Veículo: NSC Total

Seção: Coluna do Pedro Machado