Macri recorre ao FMI para controlar crise financeira na Argentina

O presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou nesta terça-feira (8) que começou a negociar com o FMI para obter uma linha de crédito, em meio à turbulência financeira que tem provocado a desvalorização do peso argentino frente ao dólar.

"Decidi começar diálogos com o FMI", disse Macri, diante da crise cambial que vive a Argentina nos últimos dias. Segundo fonte ouvida pela Bloomberg, o governo argentino deve pedir US$ 30 bilhões ao órgão multilateral de crédito.

Embora tenha reduzido a desvalorização durante o discurso do presidente, o peso argentino voltou a ter forte queda. Em dia de valorização global da moeda americana, o dólar subia 4,13% perto das 14h30, a 22,82 pesos, depois de ter atingido máxima de 23,10 pesos mais cedo.

Macri lembrou que a Argentina é o país do mundo que mais depende de financiamento externo, e reconheceu que variáveis internacionais, como o possível aumento das taxas de juros pelo Banco Central americano (Fed) e a alta do preço do petróleo, atrapalham a situação econômica da Argentina. "São variáveis que não administramos", disse. 

O presidente argentino lembrou que optou por uma política econômica gradualista para “equilibrar o desastre que deixaram nas contas públicas”, mas esse caminho fez a Argentina ficar dependente da emissão de dívida no mercado externo. "Estou convencido de que o caminho que tomamos resultará em melhor futuro para todos." 

Garantia ao mercado 

O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, afirmou que o país tem cobertura para 85% das suas necessidades financeiras em 2018, mas decidiu buscar um financiamento preventivo com o FMI para dar garantias ao mercado

“Dado o contexto internacional, quanto mais certeza pudermos dar, melhor”, disse Dujovne. “Nosso programa [de ajuste gradual] nos leva à solvência da dívida, mas nos deixa expostos ao mercado. Por isso decidimos tomar financiamento preventivo do FMI”.

Em entrevista coletiva, Dujovne disse que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, manifestou apoio ao programa de ajuste gradual do governo Macri, que “ataca o déficit fiscal” ao mesmo tempo em que “cuida de todos”.

Questionado sobre quais contrapartidas o fundo deve exigir ao oferecer o financiamento, Dujovne não quis dar detalhes, mas afirmou que o FMI de hoje é bastante diferente da instituição de 20 anos atrás. “O fundo aprendeu com o passado, e hoje apoia o programa gradual da Argentina. É possível, portanto, avançar com um programa que possa seguir nosso rumo”. 

Dujovne, que falou logo após pronunciamento de Macri sobre a ajuda do FMI à Argentina em meio à turbulência financeira, disse que os detalhes do acordo com o fundo - como prazos e taxas de empréstimos - serão conhecidos nos próximos dias. Ele assegurou somente que a taxa do FMI é a mais barata disponível no mercado.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Internacional