Recuperação dos mercados deve ser limitada após STF, diz consultoria

Veículo: Valor Econômico 

Seção: Finanças 

SÃO PAULO - A recuperação dos mercados brasileiros deve ser limitada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em rejeitar o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os ativos brasileiros até devem receber a novidade de maneira positiva, já que “encerra” a tentativa de Lula de retornar à Presidência, avalia a consultoria Capital Economics.

Nota assinada pelo economista para América Latina, Edward Glossop, traz que já era precificada uma baixa probabilidade de Lula concorrer à eleição. A “magra” chance de ele ainda disputar a Presidência passaria por uma futura decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, a condenação do ex-presidente já conflita com a Lei de Ficha Limpa, lembra o texto. E embora algumas exceções tenham sido feitas no passado, nenhuma era tão notória, acrescenta. 

Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 6 votos a 5, rejeitar o habeas corpus de Lula. “Embora a decisão fortaleça essa visão (sobre inelegibilidade), isso não muda radicalmente”, diz Glossop. 

Quando a poeira baixar, acrescenta, os mercados tendem a se concentrar no fato de que os candidatos ainda enfrentam uma disputa difícil na corrida presidencial. As perspectivas para reformas fiscais ainda parecem “desanimadoras”. A menos que isso avance nos próximos anos, as taxas de juros também devem subir, pesando sobre os títulos em moeda local, aponta o economista. 

Agora, a disputa eleitoral parece estar ainda mais aberta. Não está claro para onde vão os votos que antes beneficiariam Lula. “Um ponto digno de nota é que Lula provavelmente deve ter mais dificuldades para transferir seus votos para um novo candidato de esquerda”, observa Glossop. 

O texto chama atenção para o fato de que os candidatos favoráveis ao mercado ainda angariam baixo apoio nas pesquisas de opinião, que, nesta fase inicial, são pouco confiáveis. Ainda assim, o “populista de direta” Jair Bolsonaro lidera a maioria das pesquisas em cenários sem Lula. Já os candidatos chamados favoráveis ao mercado, como Geraldo Alckmin, tem apoio de único dígito, como aponta a Capital Economics.