C&A busca possíveis investidores para operação brasileira

A Cofra Holding, grupo controlador da C&A, e seus assessores financeiros começaram a sondar investidores sobre um potencial interesse na operação brasileira. O grupo já procurou a gestora de private equity Advent e a empresa de participação Itaúsa, de acordo com três fontes.

A companhia está dando preferência a fundos que já tenham experiência no varejo no Brasil e na América Latina.

O modelo de capitalização não está definido. A C&A pode vender uma participação na subsidiária brasileira ou fazer uma oferta pública de ações (IPO), conforme a demanda dos investidores. O resultado das primeiras sondagens será definitivo para a Cofra definir se a operação no Brasil será uma capitalização individual ou se fará parte de uma negociação global. 

O colunista do jornal "O Globo" Lauro Jardim publicou no domingo que a C&A mundial avalia fazer um IPO na matriz ou em alguns mercados, incluindo o Brasil. Procurada, a C&A no Brasil, comandada por Paulo Correa, não comentou o assunto. 

A Cofra Holdings informou que as estratégias possíveis incluem parcerias e investimentos externos adicionais na companhia. A companhia não descartou a possibilidade de abrir o capital da operação brasileira.

A Cofra Holding informou que, globalmente, iniciou em 2017 um programa global de transformação e crescimento, que "inclui uma investigação de formas de acelerar em áreas prioritárias de alto crescimento, como China, mercados emergentes, mercado digital, e que poderiam potencialmente incluir parcerias e investimentos externos adicionais". Em janeiro, a Cofra Holding anunciou que avaliava parcerias para entrar no mercado da China.

De acordo com a controladora da C&A, "cada região tem explorado oportunidades de expansão com diferentes atores, e continuará a fazê-lo, como parte da estratégia de transformação de negócios", informou a empresa, em comunicado.

A C&A foi fundada em 1841 na cidade holandesa de Sneek. A Cofra Holding representa os membros da família fundadora Brenninkmeijer, que atualmente inclui mais de mil membros e reúne uma riqueza estimada em € 20 bilhões, de acordo com informações da revista alemã. 

A holding também possui negócios financeiros, imobiliários e de private equity da família de origem germano-holandesa Brenninkmeijer, proprietária da C&A.

Fundada pelos irmãos Clemens e August Brenninkmeijer, a C&A tem atualmente 60 mil empregados e 2 mil lojas em 21 países. A companhia tem capital fechado e não publica balanços. A Euromonitor International estima que a companhia tenha uma receita global de aproximadamente US$ 32,2 bilhões. No Brasil, a receita é estimada em US$ 1,54 bilhão (R$ 5 bilhões). 

Globalmente, a companhia é a décima primeira colocada em participação de mercado, com 0,8% de participação. À sua frente estão H&M, TJ Maxx (da TJX Cos), Zara (da Inditex), Ross (Ross Stores), Uniqlo (Fast Retailing), Marshalls (TJX Cos) e Primark (Associated British Foods). 

No Brasil, a C&A opera com 276 lojas e é a segunda maior empresa de moda do país em receita, com 5,1% de participação de mercado, atrás da Lojas Renner, com 5,9%, de acordo com a Euromonitor International.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Empresas