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Bolsa fecha em queda e dólar sobe para R$ 3,16

Veículo: Estadão 

Seção: Economia e Negócios 

Com os índices em Nova York em queda, a bolsa brasileira viveu um dia de realização de lucros e recuou 0,97% nesta segunda-feira, 29, fechando em 84.698,01 pontos.

Ao mesmo tempo, o dólar subiu para o patamar de R$ 3,16, em movimento similar ao observado ante outras divisas lá fora. As taxas de juros acompanharam essa trajetória, observada também pelos juros dos Treasuries e terminaram o dia em elevação no mercado futuro. Sem reagir aos dados do governo central ou do crédito em 2017, os agentes continuam atentos à retomada dos trabalhos no Legislativo e aos movimentos do governo em busca de votos para aprovar a reforma da Previdência.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, admitiu não haver ainda votos suficientes para a votação, mas, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, disse em entrevista ao Estadão que vê chance de chegar a 19 de fevereiro com os 308 votos necessários para a aprovação da PEC.

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, também fez coro sobre a confiança na aprovação da matéria e disse ainda esperar que a decisão da Caixa de suspender empréstimos a Estados e municípios não atrapalhe nesse processo. "O importante é fortalecer a Caixa para que ela possa competir", disse o ministro.

Na Bolsa,  o dia foi dominado pelo movimento de realização de lucros após sucessivos recordes que levaram o índice à vista a ganhar cerca de 12% neste mês. O ritmo de queda reduziu nos últimos momentos do pregão e a valorização no mês ainda está em 10,86%.

O recuo ocorreu em linha com a trajetória dos pares em Nova York. O giro financeiro foi de R$ 11,6 bilhões - em nível similar ao dia da véspera do julgamento do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o índice à vista recuou 1,22% pela cautela dos investidores.

"O movimento de realização já era esperado, pois os mercados acionários, tanto aqui como lá fora, esticaram muito", disse Carlos Soares, analista da Magliano Corretora, que acrescenta que há certa cautela dos investidores no exterior em uma semana com divulgação de indicadores importantes, como dados sobre emprego (payroll), nos Estados Unidos, e da produção (PMI), na China, além da decisão do Federal Reserve (Fed) sobre o juro básico americano. "Mas importante ressaltar que as condições monetárias globais favoráveis estão mantidas. O curto prazo é realização de lucro mesmo", afirmou.

Em um dia de agenda doméstica esvaziada, declarações de integrantes do governo sobre a Reforma da Previdência chamaram atenção. Muito embora boa parte dos analistas já tivesse dado como precificado a não aprovação agora em fevereiro, o tema segue no radar e o noticiário a esse respeito serve como mote para ordens tanto na ponta de compra como de venda.

"Muita gente dizia que achava que não tinha mais importância, que já estava precificado, mas o tema não saiu de vez do radar", ressaltou um operador.

Câmbio. O dia foi de correção para o dólar em escala global, depois das fortes perdas da divisa na semana passada. O câmbio doméstico acompanhou o exterior, e a moeda americana subiu para a casa dos R$ 3,16, depois de ter alcançado o patamar de R$ 3,13 no fim da semana passada. Segundo profissionais do mercado, a agenda dos Estados Unidos desta semana - que incluiu a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira, e os dados do mercado de trabalho relativos a janeiro, na sexta - são fatores de pressão sobre os rivais do dólar.

A moeda americana tende a ter alguma recuperação ao longo da semana, "principalmente se forem confirmados os indicadores favoráveis de emprego nos Estados Unidos", afirmaram analistas da Lerosa Investimentos, em relatório. A expectativa com a reunião do Fed também traz cautela aos negócios, destacaram.

"As discussões recentes por parte da alta cúpula do governo Trump sobre a vantagem ou não de um dólar desvalorizado mantêm apreensão sobre os investidores", acrescentaram os profissionais. O recuo do petróleo no mercado internacional foi outro fator para a desvalorização de moedas de países emergentes.

"Tivemos hoje uma correção global nos mercados", comentou Bruno Foresti, gerente de câmbio do Ourinvest. De acordo com Foresti, a tendência, no entanto, é que o dólar se mantenha abaixo dos R$ 3,20, podendo recuar a até R$ 3,08, em função do forte fluxo de entrada de recursos no País. Em janeiro, até o dia 24, o fluxo cambial total no País está positivo em US$ 4,161 bilhões, resultado de um fluxo comercial negativo de US$ 1,295 bilhão e de um fluxo financeiro positivo de US$ 5,455 bilhões no período.

O dólar à vista fechou em alta de 0,86%, a R$ 3,1656. O giro foi de US$ 1,263 bilhão. Na mínima, chegou a R$ 3,1586 (+0,64%) e, na máxima, a R$ 3,1720 (+1,07%).

 



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