Condenação de Lula faz Bolsa atingir 83,6 mil pontos e dólar cair a R$ 3,17

Veículo: Estadão  

Seção: Economia 

O mercado financeiro teve um dia de euforia nesta quarta-feira, 24, com a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que confirmou em votação unânime dos desembargadores a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em patamar inédito, aos 83.680 pontos, alta de 3,72%. O dólar à vista caiu 1,93%, cotado a R$ 3,173, também acompanhando a desvalorização que a moeda norte-americana teve ao redor do mundo.

Ao longo dia, o mercado reagiu acompanhando as movimentações no tribunal de Porto Alegre. A Bolsa ganhou força após o relator e o revisor não só rejeitarem o recurso do petista contra a condenação dada pelo juiz Sérgio Moro, mas também pedirem o aumento da pena de Lula. O giro financeiro da Bolsa foi forte, de R$ 15,7 bilhões.

A leitura dos agentes financeiros é que diminuíram as chances de que o petista esteja elegível perto da data da eleição, uma vez que dependeria de recursos e decisões favoráveis em instâncias superiores. 

Em Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, o presidente Michel Temer evitou comentar o julgamento de Lula. “Vamos aguardar a decisão final. Não sei se tem recurso, se não tem recurso. Essa decisão cabe à Justiça e, em particular, ao TRF-4.”

Ele, porém, comemorou os resultados da Bolsa. “Agora acabei de receber uma boa notícia. Como eu disse pela manhã, que tudo iria seguir na maior absoluta normalidade, a Bolsa bateu os 83 mil pontos. De modo que o discurso (no Fórum) intercedeu com a repercussão, pelo que estou vendo. E foi muito exitosa a nossa vinda para cá.”

Dia seguinte. Para José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos, a maior consequência da condenação unânime em segunda instância é a redução das incertezas políticas e econômicas. “Quem está a favor de Lula, achou ruim; quem está contra, gostou, mas tudo ficou menos incerto.” 

Camargo acrescenta que os ativos brasileiros deverão se valorizar num primeiro momento, mas que a cotação deles dependerá do que acontecer com os indicadores econômicos - desemprego e produção. 

O sócio e estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, diz que a condenação abre espaço para as reformas econômicas, pois reduz a probabilidade de Lula conseguir se candidatar e torna mais fácil a vitória nas eleições de um candidato reformista de centro. “O resultado é um empecilho a mais para Lula. O aumento da pena piora ainda mais para ele.”