Crise na articulação da reforma

Veículo: Valor Econômico  

Seção: Política 

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), provocou ontem grande confusão ao anunciar, por volta das 17h, que a votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados teria sido adiada para fevereiro de 2018. A declaração, desmentida pouco depois por nota do Palácio do Planalto e pelos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Fazenda, Henrique Meirelles, acentuou queda que a B3, a bolsa de valores de São Paulo, já vinha tendo desde as 14h. Tudo aconteceu enquanto o presidente Temer estava em São Paulo, submetendo-se a procedimento cirúrgico no hospital Sírio Libanês. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), também desmentiram Jucá, assim como lideranças governistas na Câmara.

Quando fez o anúncio, o líder do governo no Senado disse que havia "entendimento" do Palácio do Planalto - e aval de Eliseu Padilha, com quem havia se reunido à tarde - para estimar o número de votos favoráveis à reforma. Padilha informou que, na verdade, tratara com Jucá da votação da Lei Orçamentária de 2018. "A reforma da Previdência é um tema que está sendo conduzido pelo presidente Michel Temer com os presidentes Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, que definirão a data de votação", informou Padilha. Temer, segundo o ministro, vai se reunir hoje com Maia e Eunício para fazer a recontagem dos votos e definir se será possível votar a reforma na próxima semana.

Ontem, os governistas contabilizavam 285 votos "firmes" a favor da reforma da Previdência, abaixo dos 308 necessários. "Isso foi antes de o PSDB fechar questão", ponderou Padilha. O governo, disse, não vai desistir. "Esse é um tema permanente do qual o governo não vai abrir mão. Ou vota-se na semana que vem ou em uma convocação extraordinária ou em fevereiro", disse. A bolsa chegou a cair 1,9% por causa da confusão, mas depois fechou em baixa de 1,2%.