Se eleito, Bolsonaro poderá convidar economista Paulo Guedes para Fazenda

Veículo: Valor Econômico 

Seção: Política 

Pré-candidato à Presidência, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse ontem que avalia convidar o economista Paulo Guedes, sócio da BR Investimentos e fundador do Banco Pactual, para comandar o Ministério da Fazenda, caso eleito em 2018. Segundo o presidenciável, foram feitas duas reuniões no Rio com um total de oito horas de conversas. Um terceiro encontro está previsto para semana que vem. 

Bolsonaro afirmou que procurou Guedes pelo fato de o economista ter sido um crítico de políticas econômicas de governos passados. "Fui atrás dele. Fizemos um levantamento de quem poderíamos conversar e quem poderia conversar comigo, porque tem gente que não aceita. Pedi a ele um milagre. Estamos namorando, mas não tem noivado", disse em evento promovido pela revista "Veja". 

Segundo Bolsonaro, que reconheceu não entender economia, o tal milagre consiste na manutenção do tripé macroeconômico (taxa de câmbio flutuante, metas de inflação, superávits primários), no crescimento da arrecadação sem aumento de impostos e na desburocratização do país. "Ele disse que é possível [o milagre]. Comprei os ingredientes, mas quem faria o bolo seria o Paulo Guedes". 

A questão da Previdência também foi debatida. "Se não fizermos a reforma paulatinamente, não vamos chegar a lugar nenhum". Bolsonaro, contudo, evitou cravar o economista como seu ministro da Fazenda. "Ainda não tem no momento compromisso dele comigo e meu com ele", despistou. 

Guedes é um dos fundadores do Instituto Millenium e tem Ph.D pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Além disso, é fundador e sócio majoritário do grupo financeiro BR Investimentos e um dos quatro fundadores do Banco Pactual. Assina colunas no jornal "O Globo" e na revista "Época". 

O Instituto Millenium defende "valores e princípios que garantem uma sociedade livre, como liberdade individual, direito de propriedade, economia de mercado, democracia representativa, Estado de Direito e limites institucionais à ação do governo", informa o centro em seu site.

Guedes foi professor de macroeconomia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Fundação Getulio Vargas (FGV) e no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) no Rio de Janeiro. Ex-CEO e sócio majoritário do Ibmec, atua nas áreas de mercado de capitais e gestão de recursos. 

"Vamos redirecionar à direita a política brasileira", declarou o parlamentar, que ainda sinalizou com um possível protecionismo contra a China, que em sua opinião, está comprando o Brasil ao adquirir diversas terras agricultáveis. "Assim não vamos ter privatização, mas estatização pelos chineses". 

Bolsonaro ainda comentou questões de segurança pública. Defensor da liberação do porte de armas pela população, advogou que policiais envolvidos em autos de resistência não sejam investigados. "Policial que não mata não é policial", disse. Também voltou a defender a distribuição de fuzis a fazendeiros que combatem "terroristas" do MST. Já o combate às milícias e à corrupção policial, afirmou, serão uma responsabilidade dos governadores.