Governo aposta em unidade tucana para votar reforma

Veículo: Valor Econômico 

Seção: Política 

Mesmo com a base aliada conflagrada, após a "quase" nomeação do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para a Secretaria de Governo, o governo aposta na unificação do PSDB para avançar com as articulações pela aprovação da reforma da Previdência antes do recesso parlamentar. Temer costura com lideranças tucanas uma "saída honrosa" da sigla do governo, com o compromisso do apoio da legenda à reforma da Previdência. O presidente também tem de apaziguar o PMDB e alas do Centrão, insatisfeitas com a não confirmação de Marun para o lugar do titular da articulação política, Antonio Imbassahy, do PSDB. 

Nesse cenário, a avaliação é que dificilmente a negociação para aprovar a reforma previdenciária avança antes de 9 de dezembro, data da convenção nacional do PSDB. Após o imbróglio da semana passada, com o vazamento antecipado da escolha de Marun para suceder a Imbassahy na articulação política do governo, Temer tenta recompor os laços com os tucanos, que saíram estremecidos de um lado, e com os pemedebistas, que remoem a não confirmação da indicação do aliado para o cargo. 

Nesse quadro, a palavra de ordem no Planalto é "reorganizar a base aliada". Nem a nomeação de Alexandre Baldy para o Ministério das Cidades - nome que contempla o PP e o grupo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - apaziguou os ânimos, que se acirraram após o entrevero envolvendo PMDB e PSDB. 

O líder do PSDB, Ricardo Tripoli (SP) - do grupo de aliados de Alckmin - ressaltou ao Valor que não há uma correlação direta entre a posse do governador na presidência da sigla e o apoio "automático" à reforma previdenciária. "Há disposição em discutir a reforma, mas é preciso a incorporação de alguns itens para garantir votos favoráveis ao texto", explica. Por exemplo, regras específicas para pessoas com deficiência permanente e para grupos que trabalham em áreas de contaminação de risco. Emendas que ainda dependerão do aval do relator e da equipe econômica

Auxiliares de Temer ressaltam que sem a garantia dos votos necessários, não interessa ao Planalto que a reforma seja levada ao plenário da Câmara. O presidente voltará a investir no corpo a corpo com os deputados, enquanto tenta recompor a base, em busca do placar necessário para aprovar o texto.

Entre a equipe econômica, a avaliação é de que a simplificação da reforma pode ajudar na aprovação da matéria. Na semana passada, foram retiradas do texto as mudanças nas regras para concessão de aposentadoria para o trabalhador rural (segurado especial) e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

"Daqui para frente vai ser na base de convencimento", afirmou uma fonte da equipe econômica. Segundo técnicos, não há espaços para o governo fazer concessões como abrir mão do adiamento do reajuste dos servidores públicos para 2019, que comprometem o ajuste fiscal de 2018.