Marketing vira trunfo para a Black Friday

Veículo: Estadão

As vendas da Black Friday devem somar R$ 2,2 bilhões este ano, alta de 19% na comparação com 2016, conforme previsão do portal BlackFriday.com.br, idealizador do evento

As marcas perceberam que o desconto, sozinho, não é suficiente para garantir boas vendas na Black Friday, que acontece na próxima sexta-feira, 24. Para garantir a preferência no dia de descontos do varejo, as empresas investem em marketing para mostrar que, mesmo na corrida pelo melhor preço, há espaço para serviços diferenciados.

 

Black FridaySegundo pesquisa da consultoria GFK, cada brasileiro pretende gastar R$ 713, em média, na data – uma alta de 10% ante o ano passado. Foto: Alex Silva/Estadão

As vendas da Black Friday devem somar R$ 2,2 bilhões este ano, alta de 19% na comparação com 2016, conforme previsão do portal BlackFriday.com.br, idealizador do evento. Segundo pesquisa da consultoria GFK, cada brasileiro pretende gastar R$ 713, em média, na data – uma alta de 10% ante o ano passado.

 

A Via Varejo, dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio, decidiu fazer propaganda da pontualidade de sua entrega – já que não é incomum, no fim de ano, que as encomendas não cheguem no prazo combinado.

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Com apelo popular, a campanha da Casas Bahia foi buscar inspiração na rede de fast-food Habib’s, que no passado não cobrava por esfihas que chegavam atrasadas na casa do freguês. Para as vendas pela internet que forem realizadas entre quinta e sexta-feira, a varejista garante que, se a entrega chegar fora do prazo estipulado, a mercadoria sairá de graça.

“Queremos dar uma demonstração de que confiamos em nosso serviço”, diz o diretor de marketing da Via Varejo, Othon Vela. O executivo diz que a ideia surgiu após uma pesquisa. O objetivo era identificar o que o consumidor busca além de preço. E a rapidez na entrega foi um dos principais pontos.

Mesmo regiões que são tidas como desafios para as redes pela logística, como o Estado do Rio de Janeiro, estarão incluídas na meta proposta pela Via Varejo, que faz parte do Grupo Pão de Açúcar.

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Nas redes sociais, o ator Fabiano Augusto, garoto-propaganda da Casas Bahia, fará uma cobertura em tempo real para mostrar os bastidores da preparação da rede para a Black Friday. Já para a bandeira Ponto Frio, a divulgação ficará a cargo do jornalista Evaristo Costa, em sua primeira ação como garoto-propaganda após deixar a bancada do Jornal Hoje, da TV Globo.

Costa vai interagir com clientes, fazer transmissões em tempo real e reforçar a estratégia da marca, que propõe também opção de frete com entrega expressa para o cliente receber o produto em até 48 horas, além de ampliar a pronta entrega.

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Preço aberto. Já o e-commerce de confecções Basico.com vai fazer este ano sua estreia na Black Friday. Segundo o sócio-fundador da empresa, Daniel Cunha, a companhia vai aproveitar as promoções para fazer a “construção de valor com o público”. Adotando a estratégia de transparência de preços, o site cortou os preços em torno de 30% e 35% dos produtos, mas deixou a decisão de pagar ou não mais barato para o próprio consumidor.

“A gente já trabalha com preços na margem mínima e, sinceramente, fazer cortes ainda superiores pode não cobrir nossos custos. O que fizemos foi comunicar isso para o nosso cliente e deixar que ele tome a decisão que quiser”, explica o empresário.

Desde o início do mês e até sexta-feira que vem, os produtos em promoção têm três preços: o cheio, normalmente cobrado pelas mercadorias; uma redução de 20%, que cobre apenas os custos de produção da mercadoria; e um terceiro, inferior, que a empresa claramente diz prejudicar sua viabilidade econômica.

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Até agora, tem havido um equilíbrio entre as escolhas, com ênfase na preocupação com a viabilidade do negócio. “De cada dez compras, sete são pelo preço de custo, duas pelo preço mínimo e uma é pelo preço cheio – o que é surpreendente”, diz o empresário.

Crédito. A bandeira internacional Visa quer garantir que mesmo quem ainda não tenha cartão de crédito possa participar da Black Friday. A estratégia foi fechar uma parceria para emitir cartões digitais quase que imediatamente. “O crédito é aprovado rapidamente, e a pessoa pode comprar com o cartão virtual. Depois, se desejar, o consumidor pode receber a versão física do cartão e continuar a usá-lo”, diz o diretor de marketing da Visa do Brasil, Rodrigo Bochicchio.