Setor têxtil mostra reação com criação de emprego e aumento da produção

Veiculo: Diário Catarinense.

Seção: Economia.

Após o sufoco dos últimos dois anos, a indústria catarinense voltou a produzir e a empregar, e um dos segmentos que têm puxado essa reação é o têxtil e de vestuário. Ele respondeu por 10 mil dos 29 mil empregos formais criados no Estado entre janeiro e agosto deste ano, conforme dados do Ministério do Trabalho. O saldo é quase o dobro do registrado pelo setor no mesmo período em 2016.

Os dados de produção também apontam para um cenário de retomada, ainda que incipiente. Após anos de quedas consecutivas, houve crescimento de 7,6% na produção de vestuário nos primeiros sete meses do ano no paralelo com o mesmo período no ano passado. Para o têxtil, a variação foi de 0,6%. 

Em nível nacional, os números também são positivos. A produção de vestuário cresceu 4,9%, e de artigos têxteis, 5,4%. Além disso, o segmento abriu 24 mil postos de trabalho de janeiro a agosto. Nesse mesmo período em 2016 acumulava perda de 4 mil vagas. As exportações cresceram 1,6% em valor e as importações, 17,84%.

Apesar dos indicadores, o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau (Sintex), Renato Valim, ressalva que é preciso ter cautela.

— Nós viemos de números muito ruins, então qualquer coisa positiva em cima de um resultado muito ruim chama a atenção. Há uma melhoria, mas ainda não recuperamos a capacidade ociosa. E a questão do emprego é muito desigual entre as cidades. Blumenau, por exemplo, ainda tem saldo negativo para os últimos 12 meses - diz Comper.

Importações da China voltam a crescer

No ano passado, o segmento têxtil e de vestuário foi um dos poucos que conseguiu ter um desempenho razoável no Estado, justamente por conta da crise. Com o dólar alto, ficou mais barato comprar das confecções catarinenses que importar da China. Neste ano, no entanto, a tendência voltou a se inverter. E

ntre as importações catarinenses, os itens de vestuário registraram o segundo maior incremento de janeiro a agosto, aumento de 211% na comparação com 2016. O quadro, no entanto, ainda está muito distante do observado em anos anteriores. Nos primeiros seis meses do ano passado, segundo o Sintex, o Estado importou US$ 335 milhões em vestuário e malhas, e neste ano, US$ 377 milhões. Já em 2015 as importações desses produtos alcançaram US$ 640 milhões.