Empresas menores lideram ganhos na Bolsa no 1º semestre do ano

Veiculo: Folha de São Paulo.

Seção: Mercado.

Gestores de fundos que priorizaram ações de pequenas empresas em suas carteiras tiveram desempenho melhor no primeiro semestre do que aqueles que preferiram papéis de nomes consolidados do mercado brasileiro, como Petrobras e Itaú Unibanco.

O resultado está em estudo da S&P Dow Jones Indices –divisão da S&P Global Ratings– que será publicado nesta terça (3). O levantamento comparou o desempenho de cinco categorias de fundos brasileiros até junho.

De acordo com o estudo, o índice S&P Brazil MidSmallCap registrou alta de 10,6%. Esse indicador reúne ações de pequenas e médias empresas da Bolsa brasileira, entre elas Renner (alta de 30% no primeiro semestre) e Raia Drogasil (valorização de 14,6% no ano até junho).

O indicador S&P Brazil BMI, que tenta representar a Bolsa brasileira de forma mais ampla, avançou 5,8% no período. Ele tem na composição papéis de companhias como Petrobras (queda de 16,8% no semestre), Ambev (alta de 11,7%) e Itaú Unibanco (ganho de 8,6%).

Como comparação, o Ibovespa, das ações mais negociadas na Bolsa, subiu 4,44% na primeira metade de 2017.

"As ações de small caps [empresas com baixo valor de mercado] têm menos cobertura de analistas, menos fluxo de informação e liquidez menor que papéis das empresas com maior capitalização", afirma Phillip Brzenk, diretor global de pesquisa e design da S&P Dow Jones Indices.

"Na teoria, isso significa que há um potencial maior para retorno adicional, o que também significa mais potencial para perdas maiores, e os gestores podem se aproveitar disso", completou.

Já o desempenho do índice das empresas de maior valor de mercado foi inferior ao dos demais no semestre, com valorização de 3,7%. Além de Petrobras, o índice tem ainda ações de Vale e Bradesco, entre outros papéis.

GESTÃO ATIVA

O levantamento avaliou ainda o comportamento de fundos com gestão ativa no semestre. Eles costumam ter taxas de administração mais elevadas para remunerar o trabalho dos gestores e também cobram um percentual sobre a performance que superar o índice de referência.

No primeiro semestre, eles tiveram um desempenho levemente inferior ao do mesmo período de 2016.

Enquanto na primeira metade do ano passado 52% dos gestores conseguiram superar o S&P Brazil BMI, o percentual caiu para 30,5% no mesmo intervalo deste ano.

Segundo a S&P, há uma retomada em relação ao segundo semestre do ano passado, quando os gestores ativos tiveram desempenho mais fraco –no acumulado do ano, só 18% conseguiram bater seus índices de referência.

A forte valorização da Bolsa no ano passado –o Ibovespa subiu 38,9%– dificultou o trabalho dos gestores. "Em um mercado tão forte, pequenos 'lapsos' na seleção de ações sem 'ganhos' que compensem podem levar a um desempenho inferior em relação ao mercado", afirma.

No longo prazo, fica ainda mais difícil superar os indicadores. Em cinco anos, só 23% dos gestores tiveram desempenho maior que o dos índices de referência.

Os gestores de renda fixa tiveram um trabalho mais complexo ainda. Só 7,6% conseguiram superar o indicador de referência de títulos de dívida corporativa. O percentual sobe para 11,2% para papéis públicos. O estudo analisou 1.205 fundos no Brasil.