A Indústria em Junho de 2017: Sem crescimento

Veículo: Textili 

Seção: Notícias 

Depois de dois meses consecutivos de alta na produção, que compensaram a queda mais intensa em março, a indústria ficou estagnada em junho. O crescimento foi zero frente a maio, quando descontados os efeitos sazonais. Este é mais um resultado que mostra o quão frágil é o atual quadro do setor que, por enquanto, parece mais com uma “interrupção das perdas” do que com uma recuperação de fato.

A instabilidade política e econômica pela qual passa o país demanda ainda uma boa dose de cautela. Não é possível retirar completamente do radar a possibilidade de novas deteriorações, isto é, de que outro período de perdas volte a ocorrer. A recuperação industrial ainda não está consolidada.

O dinamismo industrial tampouco suscita comemoração quando tomado em relação com junho do ano passado. Neste caso, houve crescimento de apenas 0,5%. Dado o nível muito baixo da base de comparação, era de se esperar um resultado mais robusto. Deste modo, se na comparação interanual a alta no primeiro trimestre de 2017 chegou a 1,0%, no segundo recuou para apenas 0,2%. No acumulado de janeiro a junho, por sua vez, o resultado foi de 0,5%.

Ao que parece, alguns fatores que estimularam a produção industrial nos primeiros três meses do ano perderam força no trimestre seguinte. Dentre eles pode ser citada a excelente safra agrícola, que estimulou a produção de bens de capital agrícola, por exemplo.

Também é o caso da liberação dos recursos de contas inativas do FGTS, que gerou expectativas positivas em alguns setores, como eletroeletrônicos, calçados, têxteis, vestuário, etc, impactando positivamente seu ritmo de produção. Cabe observar, contudo, que em alguns desses setores, sobretudo têxteis e calçados, tais expectativas podem ter sido parcialmente frustradas já que, nos últimos meses, os estoques efetivos têm ficado acima do planejado, segundo os indicadores da CNI.

Para o segundo semestre, outros fatores com impactos positivos menos concentrados no tempo podem vir a ganhar importância, como o repasse da redução da taxa básica de juros (Selic) às taxas de empréstimo às famílias e às empresas, o fim da contração das concessões de crédito – algo que já ocorre para as pessoas físicas –, um patamar menor de inflação e alguma moderação na crise do emprego. É importante ainda que movimentos na taxa de câmbio não venham a prejudicar aqueles setores que vêm conseguindo ampliar exportações. Aqui o exemplo mais destacado, mas não o único, é o da indústria automobilística.

Dentre os macrossetores da indústria, a passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2017 trouxe resultados mais fracos na maioria dos casos tomadas as variações interanuais, como em bens de consumo semi e não duráveis (de +0,5% para -2,9%, respectivamente), bens de capital (de +4,8% para +1,2%) e bens de consumo duráveis (de +11,1% para +9,0%). A exceção foi a produção de bens intermediários, que retornou ao terreno positivo em abril-junho.

Bens de consumo duráveis até conseguiram manter um bom dinamismo a despeito da desaceleração. Isso ocorreu, em boa medida, devido à produção de automóveis, cujas exportações contribuíram para taxas equivalentes de crescimento em ambos nos trimestres. Eletrodomésticos viram uma expressiva desaceleração e outros equipamentos de transporte (motocicletas, sobretudo) ampliaram suas perdas.

Bens de capital, por sua vez, mantiveram-se em terreno positivo, mas sofreram desaceleração considerável, decorrente do desempenho de bens de capital para a agricultura e para o setor e energia. A produção de bens de capital para a indústria continuou em declínio, porém menos acentuado.

A má notícia fica por conta de bens de consumo semi e não duráveis, que, depois do desempenho positivo no primeiro trimestre do ano, voltou a apresentar queda. Na origem dessa involução está a desaceleração do crescimento da produção de calçados e vestuário, bem como da contração mais acentuada da indústria de laticínios e carnes, de bebidas e de farmacêuticos.

Caminhou em direção oposta a produção de bens intermediários. O crescimento de 0,2% no segundo trimestre de 2017 foi a primeira variação positiva na comparação interanual depois do quarto trimestre de 2013, perfazendo quase três anos e meio de recessão. A melhora se deveu especialmente aos resultados de ramos com tradição exportadora, como celulose, metalurgia básica e intermediários para veículos.

Resultados da Indústria

A indústria ficou estável em junho de 2017 na comparação com maio, já descontados os efeitos sazonais. Depois de dois meses sucessivos de alta na série com ajuste (+1,3% em abril e +1,2% em maio), que recompuseram a perda mais intensa de março (-1,9%), a produção industrial voltou a perder dinamismo no final do primeiro semestre do ano. Vale observar que o IBGE revisou os dados de março a maio, cabendo a este último mês a correção mais expressiva (de +0,8% para +1,2%).

Já o desempenho industrial em comparação com junho de 2016 registrou crescimento de 0,5%. Com isso, a trajetória que oscilava entre resultados positivos e negativos desde janeiro foi interrompida pela primeira vez ao ter apontado alta em maio (+4,1%) e agora em junho (+0,5%). Entretanto, ressalta-se que o resultado de junho foi a menor alta registrada em 2017, observando que junho de 2017 (21 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (22). 

Deste modo, houve uma desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2017. Frente a igual período do ano anterior, a indústria cresceu 1,0% em janeiro-março, mas apenas 0,2% em abril-junho. A expansão de 0,5% no acumulado do primeiro semestre do ano deveu-se mais do resultado do primeiro trimestre do que do segundo.

Em relação à distribuição dos resultados positivos e negativos entre os diferentes ramos industriais pesquisados pelo IBGE, o quadro foi dividido: apontaram crescimento em junho último 13 dos 26 ramos pesquisados.

A despeito desse dinamismo relativamente fraco, a trajetória de redução das perdas no acumulado em 12 meses foi preservada, atingindo em junho de 2017 a marca de -1,9% frente ao mesmo período do ano anterior, o que consistiu no menor ritmo de queda desde agosto de 2014 (-1,6%).

Em relação aos macrossetores, na comparação com maio, descontados os efeitos sazonais, bens de capital (+0,3%) e bens intermediários (+0,1%) registraram crescimento, embora muito baixo. Em contraste, bens de consumo duráveis (-6,0%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,5%) apontaram retração. 

Os resultados de junho de 2017 frente a junho de 2016 foram positivos na maioria dos macrossetores: bens de consumo duráveis (+5,0%), bens de capital (+0,3%), bens intermediários (+0,9%). Em queda, apenas a produção de bens de consumo semi e não duráveis (-1,8%).

O avanço de 5,0% frente a junho de 2016 da produção de bens de consumo duráveis se deveu, em grande medida, ao crescimento da produção de automóveis (+11,3%) e de eletrodomésticos da “linha marrom” (+16,7%).  Em contrapartida, houve declínio em motocicletas (-28,0%), eletrodomésticos da “linha branca” (-1,8%), outros eletrodomésticos (-10,6%) e móveis (-1,6%).

Bens de capital, por sua vez, avançou 0,3% ante junho de 2016, sob influência de avanços observados na maior parte dos seus grupamentos, com destaque para bens de capital para uso misto (+11,1%) e para construção (+23,0%). As demais taxas positivas foram registradas por bens de capital agrícola (+0,7%) e para fins industriais (+0,4%). Por outro lado, os impactos negativos foram assinalados pelos grupamentos de bens de capital para energia elétrica (-12,1%) e para equipamentos de transporte (-1,6%).

Já o macrossetor de bens intermediários, que cresceu 0,9% frente a junho de 2016, viu avanços nos produtos associados às atividades de produtos alimentícios (+16,4%), de indústrias extrativas (+4,5%), de celulose, papel e produtos de papel (+5,9%), de máquinas e equipamentos (+7,6%) e de veículos automotores, reboques e carrocerias (+2,2%), entre outros. As pressões negativas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-10,5%), outros produtos químicos (-6,5%), produtos de minerais não-metálicos (-4,7%) e produtos de metal (-2,5%).

Por fim, o recuo de 1,8% na produção de bens de consumo semi e não-duráveis foi explicado, em grande parte, pela queda observada no grupamento de não-duráveis (-7,9%), pressionado, principalmente, pela menor produção de medicamentos. Os subsetores de semiduráveis (-2,3%) e de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-0,9%) também assinalaram resultados negativos nesse mês. Em contraste, o grupamento de carburantes (6,5%) apontou taxa positiva, impulsionado pela maior produção de álcool etílico e gasolina automotiva.

No acumulado do primeiro semestre de 2017, em relação ao mesmo período de 2016, houve expansão da produção nos macrossetores de bens de consumo duráveis (+10,0%) e de bens de capital (+2,9%). Em contraste, bens intermediários (-0,1%) e bens de consumo semi e não duráveis (-1,2%) tiveram retração do volume de produção.

Por dentro da Indústria de Transformação

A estabilidade da produção industrial geral em junho foi resultado do declínio de 0,2% da indústria de transformação, frente a maio de 2017, com ajuste sazonal, e da alta de 1,3% da indústria extrativa, nesta mesma comparação. Em relação a junho de 2016, o resultado da indústria de transformação foi de -0,1%. O avanço de 0,5% da indústria geral foi, então, produzido pelo setor extrativo, que cresceu 4,5% no período. A indústria de transformação também apontou nova retração no acumulado de 2017 frente a igual período do ano passado (-0,3%), enquanto a indústria extrativa registrou crescimento de 6,0%.

Frente a maio, na série com ajuste sazonal, a estabilidade da indústria geral foi influenciada pela redução da produção de 12 dos 24 ramos da indústria pesquisados pelo IBGE. Os destaques negativos ficaram por conta de: veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,2%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,7%), além de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,9%), de outros equipamentos de transporte (-6,8%) e de produtos de metal (-2,0%), entre outros. Em sentido oposto, entre os nove ramos que ampliaram a produção nesse mês, o desempenho de maior importância para a média global veio de produtos alimentícios (+4,5%), seguidos pelas indústrias extrativas (+1,3%), de máquinas e equipamentos (+2,0%) e de bebidas (+1,7%).

Na comparação com igual mês do ano anterior, em que a indústria geral apresentou alta de 0,5%, variações positivas marcaram o desempenho de 13 dos 26 ramos, 38 dos 79 grupos e 46,1% dos 805 produtos pesquisados. Vale citar que junho de 2017 (21 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (22). Entre as atividades, as principais contribuições positivas nesta comparação compreendem produtos alimentícios (+7,2%), indústrias extrativas (+4,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (+6,6%), máquinas e equipamentos (+5,8%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+10,9%) e celulose, papel e produtos de papel (+5,1%), entre outros. Por outro lado, entre as 12 atividades que apontaram redução na produção, as principais influências no total da indústria foram registradas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,3%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-18,7%), outros produtos químicos (-6,5%) e outros equipamentos de transporte (-22,4%), entre outros.

Exportação

Segundo os dados da Funcex, divulgados pelo IBGE conjuntamente com os resultados da produção industrial, o quantum das exportações de manufaturados no mês de junho cresceu 1,9% frente a junho de 2016. Com isso, o resultado no acumulado do primeiro semestre de 2017 foi positivo, em 1,6%, mas inserido em uma trajetória de desaceleração, registrando um ritmo mais próximo do resultado acumulado em 2015 como um todo (+2,3%) do que de 2016 (+7,9%), quando a desvalorização da taxa de câmbio contribuiu, com alguma defasagem, para o desempenho exportador da indústria. 

Em junho, as importações em quantum de matérias-primas cresceram novamente: +3,6% frente ao mesmo mês de 2016. No acumulado de janeiro-junho, houve, então, aumento considerável, de 11,4% frente a igual período do ano anterior. Em parte, este desempenho reflete a taxa de câmbio em patamar mais apreciado do que em 2016 e a fase de estabilização da produção industrial, mas também está associado ao melhor desempenho de alguns setores, especialmente os de bens duráveis, com maior participação de insumos importados.

Utilização de Capacidade

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação, de acordo com a série da FGV com ajustes sazonais, foi de 74,7% em junho de 2017, ficando praticamente estável desde o início do ano. Em relação a maio do corrente ano, houve alta de 0,5 ponto percentual. O atual nível de utilização continua inferior à média histórica do próprio indicador (80%).

O indicador da CNI, a seu turno, também apontou para um nível historicamente baixo da utilização da capacidade em junho de 2017: 77,0%, contra 81,3% na média desde jan/03. Na passagem de maio (77,4%) para junho houve um pequeno recuo de 0,4 ponto percentual, já descontados os efeitos sazonais.

Estes dados sugerem uma tênue melhora do quadro em relação ao final do ano passado, estando longe de retomar aos níveis de utilização pré-crise. Ademais, ao longo de 2017 não tem havido nenhuma tendência de aumento sucessivo da utilização da capacidade, tanto no caso do indicador da FGV, como no da CNI, que também tem sido marcado por alguma volatilidade. O patamar médio do indicador da FGV, que era de 73,7% no último trimestre de 2016, avançou para 74,4% no primeiro trimestre de 2017, ficando em 74,5% na média do bimestre abril-maio. No caso do indicador da CNI esses valores foram, respectivamente, de 76,4%, 77,3% e agora no último bimestre de 77,0%. 

A permanência da utilização da capacidade em níveis historicamente baixos e sem uma trajetória clara de melhora não é um bom indício para a evolução futura do investimento, isso porque máquinas e equipamentos atualmente ociosos deverão ser postos em funcionamento antes de os empresários pensarem em ampliar sua capacidade de produção. Em contrapartida, a existência de capacidade ociosa significa que existem plenas condições de oferta para garantir uma recuperação da atividade econômica sem pressões inflacionárias.

Estoques

De acordo com os dados da Sondagem Industrial da CNI, os estoques de produtos finais da indústria em junho de 2017 assinalaram índice de 50,1 pontos, indicando um quadro em que os estoques estão ajustados. Vale lembrar que o indicador acima de 50 pontos indica aumento dos estoques.

Este resultado em junho de 2017 foi influenciado sobretudo pela indústria de transformação, cujo indicador de estoques ficou na marca dos 50 pontos. Já a indústria extrativa manteve-se acima dos 50 pontos, como tem ocorrido desde janeiro deste ano. Em junho, o indicador registrou patamar de 51,5 pontos.

Na avaliação dos empresários, depois de um mês de maio com os estoques efetivos da indústria geral abaixo do nível planejado, em junho o índice de satisfação da CNI voltou a ficar um pouco acima da marca dos 50 pontos (50,9 pontos), que marca a situação em que os estoques efetivos coincidem com os estoques planejados pelos empresários. No caso do setor extrativo, o indicador de satisfação dos estoques ficou em 49,9 pontos e no caso da indústria de transformação, em 50,9 pontos – depois de ter atingindo o nível de 49,8 pontos em maio.

Neste último grupo industrial, isto é, na indústria de transformação, 14 dos 27 ramos tiveram estoques iguais ou menores do que o planejado (50 pontos) em junho de 2017, como em outros equipamentos de transporte (38,9 pontos), borracha (45 pontos), couros (46,3 pontos),  vestuário (47 pontos), entre outros. Cabe observar que o número de setores com índice igual ou abaixo de 50 vem caindo: de 19 em abril, para 16 maio e agora 14 dos 27 ramos. Em contraste, constataram estoques efetivos acima do planejado os setores de máquinas e materiais elétricos (55,1 pontos), calçados (54,6 pontos) e têxteis (53,4 pontos), entre outros.

Confiança e Expectativas

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Transformação da CNI (ICEI), voltou a recuar em julho de 2017, para 51 pontos, o patamar mais baixo desde fev/17. De outubro-dezembro de 2016 para janeiro-março de 2017, seu patamar médio progrediu de 51,0 para 53,0 pontos, e, em seguida, para 53,2 pontos em abril-junho de 2017, mas voltou a 51 pontos em julho. A despeito disso, o indicador parece ter se consolidado em um patamar superior aos 50 pontos no corrente ano, o que indica uma melhora da confiança dos empresários.

Por sua vez, o Índice de Confiança da Indústria de Transformação da FGV, cujo patamar médio evoluiu de 85,7 pontos para 89,2 pontos do quarto trimestre de 2016 para o primeiro de 2017 e para 91,2 pontos no segundo trimestre, começou a segunda metade do ano em 90,8 pontos em julho. Assim, parte da deterioração da passagem de maio (92,3 pontos) a junho (89,5 pontos) foi recomposta, porém não integralmente. Apesar dessa evolução na virada do semestre, o movimento continua favorável, especialmente, ao se considerar que o indicador se encontrava em 78,1 pontos em abril de 2016. Observa-se que, como o indicador ainda permanece abaixo da marca dos 100 pontos, a partir da qual a avaliação torna-se positiva, continua havendo certa insatisfação dos empresários com seus negócios.

O Índice de Expectativas da FGV para a indústria de transformação, na série livre de efeitos sazonais, atingiu 93,4 pontos em julho, recuperando um pouco o recuo visto em junho (92,1 pontos). Frente a julho de 2016 o avanço foi de 6,3 pontos. Já o indicador da CNI para as expectativas ficou em 54,1 pontos (-0,8 pontos frente a jun/17 e +1,2 pontos frente a jul/16).

O componente dos indicadores de confiança que expressa a avaliação das condições correntes encontra-se em níveis mais baixos, ainda que, de forma geral, tenha apresentando uma evolução favorável nos últimos meses. No caso da FGV, seu Índice da Situação Atual marcou, na série com ajuste, 88,4 pontos em julho (+1,2 pontos frente a jun/17 e +3,9 pontos frente a jul/16), sugerindo que o desempenho da produção da indústria de transformação em julho possa a ser mais favorável do que a de junho. No caso da CNI, a indicação é em direção oposta, já que o Índice de Condições Atuais ficou em 44,9 pontos, isto é, -2,1 pontos frente a jun/17 (ainda que +6,6 pontos frente a jul/16), abrindo a possibilidade de que o resultado de julho não seja melhor que o de junho.

 

Outro indicador frequentemente utilizado para se avaliar a perspectiva do dinamismo da indústria é o Purchasing Managers’ Index – PMI Manufacturing, calculado pela consultoria Markit Financial Information Services. Depois de o PMI-M do Brasil mostrar uma relativa deterioração na passagem de 2016 para 2017, ultrapassou a linha dos 50 pontos em abril deste ano (50,1 pontos), avançou para 52,0 pontos em maio, mas recuou novamente para 50,5 pontos em junho e para exatos 50 pontos em julho. Ao fazer isso, o indicador deixou de apontar para uma melhora das condições de negócio para o setor industrial para passar a indicar uma estabilidade.

Em síntese, na primeira metade de 2017 as sondagens junto às empresas industriais sugerem uma nova etapa de melhora da confiança frente a 2016, mas sua evolução continua muito restringida. O patamar médio dos indicadores no primeiro trimestre se mostra mais elevado do que o da média do último trimestre de 2016, o que veio acompanhado de uma melhora relativa do desempenho industrial no início de ano. Esse movimento persistiu no segundo trimestre do ano, mas não sem algum recuo a partir de junho. A deterioração do quadro político do país no mês de junho impactou negativamente praticamente todos os indicadores de confiança, expectativa e avaliação da situação corrente da indústria, tendo havido alguma recuperação parcial em julho.

 

 

 

No acumulado do primeiro semestre de 2017, frente a igual período do ano anterior, o crescimento de 0,5% da indústria geral foi acompanhado de um equilíbrio praticamente integral entre resultados positivos e negativos: no azul foram 13 dos 26 ramos, 41 dos 79 grupos e 51,1% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, exerceram as maiores influências positivas: veículos automotores, reboques e carrocerias (+11,7%), indústrias extrativas (+6,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+18,6%), metalurgia (+3,6%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (+5,1%) e máquinas e equipamentos (+2,4%). Entre as atividades com redução na produção estão: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-7,6%), produtos alimentícios (-2,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,8%), outros equipamentos de transporte (-11,6%), produtos de minerais não-metálicos (-3,9%) e impressão e reprodução de gravações (-14,2%).