Empresário e executivo mostram satisfação com vitória

Veículo: Valor Econômico 

Seção: Política 

"O empresariado adora o Temer", afirmou ontem o presidente e acionista da rede de combustíveis Ale, Marcelo Alecrim, horas antes do início da sessão da Câmara Federal sobre o pedido de investigação do presidente Michel Temer (PMDB). "O empresariado quer um presidente corajoso, com ele está sendo", disse o empresário ao Valor. "Se ele fez coisas erradas, se tem que pagar por isso, deixe que pelo menos ele faça alguma coisa boa pelo país." As declarações foram feitas no mesmo dia em que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou a aquisição da Ale pela Ipiranga, uma operação que havia sido assinada pelas duas empresas no ano passado. A Ale tem 4% do mercado nacional de combustíveis e em 2016 registrou receita líquida de R$ 12,42 bilhões, 9,5% acima do resultado de 2015. 

A exemplo de grande parte dos empresários, Marcelo Alecrim elogia a reforma trabalhista que foi promovida pelo Planalto e diz que a expectativa é com a aprovação rápida da reforma da Previdência. A queda da inflação e dos juros regulados pela taxa Selic também são vistos pelo empresário como feitos de Temer. "Fazendo essas reformas, que vão trazer empregos e desenvolvimento ao país tenho certeza ele poderia até ser um grande candidato", afirmou ele. Para Wilson Bricio, presidente da divisão sul-americana da ZF, uma das maiores produtoras de autopeças do mundo, "se for mantida a política econômica a curto e médio prazos não faz diferença quem é o presidente da República", diz. Bricio prevê, por outro lado, que crise política vai acabar atrasando a votação de alguma reforma. "Mas acho que não votar ou mesmo eliminar as reformas da agenda significaria voltar ao desastre de uma economia já combalida que começa a respirar", destaca. 

Economistas ouvidos pelo Valor foram unânimes na avaliação de que o presidente Michel Temer conseguiria o aval do Congresso para permanecer no Palácio do Planalto e não ser investigado. No entanto, houve divergência sobre o futuro da reforma da Previdência e em relação ao crescimento do país até o fim do mandato do presidente, em dezembro de 2018. José Alberto Tovar, sócio-fundador da gestora carioca Truxt Investimentos, avalia que a reforma da Previdência deve demorar pelo menos mais dois anos para ser aprovada pelo Congresso, depois da grave crise política enfrentada pelo governo Temer. Para o executivo, não deve haver melhoras significativas na economia até o fim do próximo ano. Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, avaliou que a rejeição do processo não significa que a crise política terá solução. " O presidente vai ganhar [a votação na Câmara], mas outras denúncias vão vir", disse Leal, horas antes do desfecho. 

Relatório da consultoria Eurasia Group afirma que, confirmada a rejeição da denúncia, esse resultado não só reforçará as chances de o presidente terminar seu mandato, mas também permitirá que o governo retome as negociações para a reforma da Previdência. Para o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, Temer deve permanecer no cargo "blindado" pela equipe econômica. 

Para o especialista, independentemente do resultado sobre a denúncia, enquanto a equipe econômica continuar a ser liderada por Henrique Meirelles na Fazenda; e Ilan Goldfajn no Banco Central (BC), os mercados não darão sinais de nervosismo. "O grande fiador desta passagem do Temer, e do rito de tramitação, é a equipe econômica. À medida que a equipe se mostra coesa, e com força de dar as cartas, de segurar gastos, esta equipe dá sobrevida ao Temer", disse, admitindo que a equipe é uma "blindagem" usada pelo presidente para se defender das denúncias. (Marcos de Moura e Souza, de Belo Horizonte; Marli Olmos, Adriana Cotias, Ana Conceição, Arícia Martins, Thais Carrança e Cristiane Agostine, de São Paulo; e Alessandra Saraiva, do Rio)