Dólar segue cena externa e recua para R$ 3,14

Véciulo: Valor Econômico  

Seção: Finanças 

A interpretação do mercado para o tom do comunicado da decisão de juros nos Estados Unidos devolveu o dólar à trajetória de queda predominante nas últimas semanas. E no Brasil não foi diferente. No fechamento, a moeda americana caiu 0,76%, a R$ 3,1428 - desvalorização mais intensa em uma semana. O Federal Reserve (Fed, BC americano) manteve o juro básico estável entre 1% e 1,25% ao ano. No comunicado da decisão, o BC dos EUA disse que a economia cresce "moderadamente" e que a recuperação do mercado de trabalho continua "sólida". Mas também notou que a inflação de forma geral tem recuado e informou que tem "monitorado cuidadosamente" as tendências de preços. 

"Com poucas novas informações do comunicado do Fomc [o Copom dos EUA] e sem surpresas, a conclusão do encontro de política monetária permitiu que o mercado fizesse o que tem feito recentemente", afirma o banco Brown Brothers Harriman. A perda de valor da moeda tem ocorrido à medida que se reduzem os diferenciais de juros a favor dos Estados Unidos. O spread entre a taxa do Treasury de dez anos e o "yield" do título alemão de mesmo vencimento recuou ontem a 173 pontos-base, de 177 pontos na sessão anterior. Isso ajuda a explicar o salto do euro, que alcançou uma máxima desde janeiro de 2015. 

As moedas emergentes foram amplamente beneficiadas. Um índice do Deutsche Bank que mede os retornos de operações de arbitragem com taxa de juros subiu ontem 0,57%, maior alta em duas semanas. E a percepção de risco para o câmbio emergente se aproximou de mínimas não vistas em três anos, segundo o Barclays.