Temer contra-ataca

Veículo: Estadão
Seção: Política

Em seu pronunciamento à Nação, neste sábado, o presidente Michel Temer partiu para o ataque contra o empresário Joesley Batista, da JBS, e deu uma cutucada na Procuradoria Geral da República. Cáustico, o presidente questionou o fato de Joesley ter posto o país de ponta-cabeça, ter lucrado milhões de dólares com o caos e estar hoje passeando em Nova York.

Depois de anunciar que está pedindo anulação do processo contra ele, porque a gravação – origem de toda a crise – foi cortada dezenas de vezes, Temer lamentou que a peça tenha sido encampada e vazada sem o mínimo de checagem. Agora, é ver se a PGR vai ou não vestir a carapuça.

Temer também cutucou os governos Lula e Dilma, ao destacar que a JBS só virou a potência que virou por receber bebesses “dos governos anteriores”. E, claro, ele reforçou que a economia vinha melhorando, com sinais de crescimento, queda da inflação e de juros, e que a crise interrompe esse ciclo virtuoso. Taí um argumento que bate fundo no setor privado, nos mercados e investidores.

Assim, o presidente mostrou que não jogou nem pretende jogar a toalha tão cedo e que está disposto a lutar pelo mandato. Ele precisa correr, porque a fragmentação de sua base aliada começou com a saída dos pequenos partidos, como PTN e PPS, mas está subindo. No próprio sábado, o PSB pulou do barco. Temer, portanto, precisa evitar a qualquer custo a perda do PSDB e do DEM. Nunca seu destino esteve  tão atrelado a eles.