FMI: Para crescer 0,2%, Brasil precisa aprovar reformas e baixar juro

Veículo: Valor 

Seção: Notícias 

WASHINGTON ­ A recuperação do Brasil de uma de suas mais profundas recessões deverá acontecer de maneira gradual se o país reduzir incertezas no campo político, manter o relaxamento monetário já iniciado pelo Banco Central (BC) e obter progresso na agenda de reformas, como a da Previdência. A conclusão é do Fundo Monetário Internacional (FMI). A previsão da instituição é a de que o país tenha crescimento de 0,2% neste ano, caso tenha sucesso com a implementação dessas medidas. Esse percentual é o mesmo verificado na última edição do relatório “Panorama da Economia Mundial” (WEO, na sigla em inglês), divulgado em janeiro. A nova versão do documento, que foi apresentada nesta terça­feira em Washington, estima que o país terá crescimento de 1,7% em 2018, ou 0,2 ponto percentual maior do que a edição anterior. 

De acordo com o FMI, o ritmo da contração da economia brasileira diminuiu, mas o investimento e a produção chegaram ao fundo do poço no fim de 2016, enquanto as crises fiscais em alguns Estados continuam a se aprofundar. A instituição verificou que a inflação está surpreendendo com níveis de queda, permitindo a queda na taxa básica de juros pelo BC. Com essas condições, a projeção é a de que o país possa recuperar o crescimento gradualmente e manter um ritmo moderado num futuro próximo. Porém, o país precisará continuar numa agenda de reformas caso queira ter crescimento neste ano. Em 2016, o Brasil fechou com retração de 3,6%. 

Após esse movimento de queda de Produto Interno Bruto (PIB) que o país viveu, o FMI recebeu bem a busca de reformas macroeconômicas pelo governo. O foco, de acordo com a instituição, deve ser nas reformas que tratem de questões fiscais, como a da Previdência que é tida como prioritária pelo governo. O FMI advertiu, no entanto, que há outros passos a serem dados para obter uma redução no déficit fiscal do país. Neste sentido, as reformas que impulsionam o potencial de crescimento são necessárias não apenas para restaurar e aperfeiçoar os padrões de vida dos cidadãos após uma profunda recessão, mas também para facilitar a consolidação fiscal. O Fundo menciona a necessidade de endereçar gargalos de infraestrutura, aperfeiçoar investimentos e a produtividade, além de simplificar o sistema tributária e reduzir barreiras ao comércio. 

O relatório mostra que a performance da economia brasileiras está muito abaixo dos demais países latino­americanos e emergentes. Na América do Sul, o Brasil só está na frente da Venezuela, que vive situação de caos social e tem previsão de queda de 7,7% no PIB, e do Equador, com expectativa de retração de 1,6% para este ano. O Brasil está atrás da média da América Latina, de expansão de 1,1% neste ano. 

O Fundo verificou também que os desempenhos econômicos dos países emergentes estão variando muito e o Brasil está entre os mais baixos. O relatório apontou que, enquanto a China permanece com crescimento forte, em 6,6%, houve uma desaceleração motivada por movimentos cambiais na Índia, que ainda assim manteve a previsão de 7,2%. O Brasil também sofreu o impacto de movimentos cambiais, mas permanece “atolado em profunda recessão”. De maneira geral, o Fundo verificou que a atividade econômica permanece fraca entre os exportadores de commodities, apesar da recuperação em alguns preços de matérias­primas. 

O FMI também advertiu para eventuais riscos de medidas protecionistas por países de economias avançadas e recomendou aos emergentes que busquem liberalizar as suas economias e fazer reformas para estarem preparados para eventuais choques. O Fundo e o Banco Mundial realizam a sua reunião de primavera nessa semana, em Washington.