Analistas voltam a cortar projeções para IPCA em 2017 e 2018

Veículo: Valor 

Seção: Notícias 

Os participantes do mercado continuaram a reduzir as expectativas para a inflação ao consumidor neste e no próximo ano, enquanto os preços no atacado seguiram em forte queda. O boletim Focus, divulgado pelo BC, mostrou que a mediana das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu ­ pela sexta semana consecutiva ­ de 4,09% para 4,06% em 2017. Para 2018, recuou de 4,46% para 4,39%. A mediana para 12 meses teve leve queda, de 4,60% para 4,59%. Entre os analistas Top 5 de médio prazo, grupo que mais acerta projeções nesse horizonte, a previsão é que o IPCA feche o ano em 4,03%. Na semana anterior eles estimavam 4,11%. A estimativa para 2018 permanece em 4,25%. Assim como o mercado em geral, esse segmento do Focus manteve a expectativa de que a taxa Selic atinja 8,5% ao fim deste ano e fique nesse nível até o fim de 2018. 

Também publicado ontem, o Índice Geral de Preços­10 (IGP­10) teve deflação de 0,76% este mês, menor taxa desde janeiro de 2009, quando recuou 0,85%. Em março, o indicador da FGV subiu 0,05%. No primeiro quadrimestre, o índice aumentou 0,30%, e 3,89% nos 12 meses encerrados em abril. O dado sucedeu um fechamento também bastante favorável de março, período em que o Índice Geral de Preços ­ Disponibilidade Interna (IGP­DI) teve redução de 0,38%, resultado mais baixo para o terceiro mês do ano desde 2009 (­0,84%). O IGP­DI é apurado entre o primeiro e o último dia de cada mês, ao passo que o IGP­10 é calculado com base nos preços coletados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência. 

A operação Carne Fraca, da Polícia Federal, pode ter contribuído para melhorar a oferta de itens na pecuária atacadista, disse Salomão Quadros, superintendente­adjunto de inflação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Com peso de 60% nos IGP­10, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 1,29% em abril, após recuo de 0,12% em março. O IPA de produtos agropecuários ampliou sua retração de 0,55% para 3,43%, ao passo que o índice industrial deixou alta de 0,04% e diminuiu 0,51%. Os frigoríficos diminuíram a demanda junto aos pecuaristas, o que acabou por elevar oferta e derrubar os preços das carnes ao produtor como um todo. Para Quadros, é possível que os demais IGPs deste mês tenham resultado muito próximo ao do IGP­10, porque os preços agrícolas e de itens de pecuária devem continuar a mostrar quedas expressivas, contribuindo para reduzir preços no atacado. 

Entre os produtos que mais contribuíram para o recuo ao produtor estão preços de peso na formação da inflação do atacado, como soja (­8,23%); milho (­12,33%); e mandioca (­10,30%). O superintendente lembrou as recentes notícias sobre safra recorde de grãos, principalmente soja, que derrubou as cotações.

Na pecuária, tiveram redução de preços itens como aves (0,22% para ­3,07%); suínos (5,55% para ­7,60%); e bovinos (­1,79% para ­1,75%), o que, de acordo com Quadros, não se deve somente à Operação Carne Fraca. No setor agrícola, há um "espalhamento" de quedas e de desacelerações de preços, disse, o que pode conduzir a uma futura desaceleração nos preços do varejo, avaliou o economista. Responsável por 30% do IGP­10, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acelerou a 0,42% em abril, ante 0,32% em março. Quatro das oito classes de despesa do índice registraram alta. É o caso de alimentação (0,11% para 0,92%), saúde e cuidados pessoais (0,50% para 0,84%), educação, leitura e recreação (0,01% para 0,22%) e despesas diversas (0,56% para 0,64%). "Podemos dizer, no entanto, que o que contribuiu para a aceleração de preços no varejo foram os alimentos mais caros", diz Quadros.