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Bovespa e dólar sobem pouco em meio a cautela interna e externa

Veículo: Valor Econômico
Seção: Finanças

Bovespa e dólar sobem pouco em meio a cautela interna e externa O Ibovespa termina a primeira metade do pregão desta terça­feira com pouco movimento e baixo volume, reflexos da cautela quanto ao cenário externo e às perspectivas para a economia local que têm se imposto entre os investidores nos últimos dias. O principal índice acionário da bolsa brasileira registrava leve alta de 0,36 aos 64.532 pontos às 13h20. O volume de negócios com ações era de R$ 2,794 bilhões, o equivalente a 33,5% da média diária deste mês, segundo dados da BM&FBovespa.

Os investidores estão acompanhando, nos Estados Unidos, a negociação em torno da reforma tributária para calibrar suas expectativas sobre a capacidade de Donald Trump em implementar as medidas prometidas em campanha, que são vistas como um impulso à maior economia do mundo. A preocupação com a governabilidade no país diminuiu um pouco, levando a Bolsa de Nova York a avançar 0,5%, para 20.650 pontos. No Brasil, são os trâmites da reforma da Previdência que concentram as atenções. Michel Temer deve propor um prazo máximo de seis meses para governos estaduais e municipais fazerem os próprios ajustes nos seus sistemas de previdência, segundo reportagem de hoje do Valor. Porém, como se espera atrasos nessa adequação, os funcionários dessas esferas no final teriam que seguir as regras válidas para os servidores federais. 

“Diante de tantas incertezas de todos os lados, as ações que se destacam têm notícias específicas afetando perspectivas e cotações”, diz Rafael Ohmachi, analista da corretora Guide Investimentos em São Paulo. Os ganhos da Vale e da Petrobras contrabalançavam as quedas dos bancos, puxados pelo Santander, que desabava após anunciar uma oferta secundária de ações de cerca de R$ 3 bilhões.

A ação ordinária da mineradora subia 0,9%, para R$ 29,64, e a preferencial ganhava 1,8%, a R$ 28,48, seguindo a elevação do minério de ferro e ainda repercutindo o anúncio de que o executivo Fabio Schvartsman, atual presidente da Klabin, sucederá Murilo Ferreira no comando da empresa a partir de maio. O papel sem direito a voto da petroleira avançava 1,3%, a R$ 13,95, e o com direito a voto ganhava 0,6%, a R$ 14,51, também acompanhando a elevação do petróleo no mercado internacional. 

O Santander Brasil perdia 6,9%, a R$ 28,52. Mesmo com essa baixa, a ação ainda tem a maior alta em 12 meses entre os papeis dos bancos brasileiros listados no Ibovespa: 71,2%. A maior alta no índice hoje é da Raia Drogasil, que teve sua recomendação elevada para compra pelo BTG Pactual com a posta de que a varejista deve aumentar a sua penetração nas regiões nordeste e sul, onde tem baixa presença. A ação da rede de farmácias subia 4,8%, a R$ 59,98.

Dólar

Os investidores do mercado de câmbio evitam assumir posições mais claras antes do pronunciamento da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. Sem grandes indicadores na agenda, o dólar inicia o período vespertino próximo da estabilidade, à espera de alguma sinalização de dirigente para o aperto monetário nos Estados Unidos. “O mercado opera em compasso de espera pela Yellen e integrantes do Fed, com cautela sobre novidades na política monetária”, diz o estrategista­chefe na Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno. “Os investidores evitam assumir posição, porque uma sinalização do Fed pode mudar a direção do dia”, acrescenta. 

O movimento é semelhante a de outros emergentes, cujas moedas têm variações pouco expressivas. A exceção é a moeda da África do Sul, que segue em trajetória firme de queda diante de tensões políticas no país. Nesta terçafeira, o rand caiu quase 2%, ampliando as perdas um dia após cair 2,5% na pior sessão desde as eleições americanas em novembro. Por aqui, o dólar comercial subia 0,03% às 13h15, cotado a R$ 3,1301, tendo alternado ganhos e perdas ao longo da manhã. A máxima foi registrada em R$ 3,1389 (0,31%) e a mínima, em R$ 3,1224 (­0,21%). 

No mercado futuro, o contrato para abril subia 0,02%, a R$ 3,1326. Mais cedo, o ativo operou entre R$ 3,1425 (+0,34%) e R$ 3,1260 (­0,19%). A volta de servidores públicos de Estados e municípios à reforma da Previdência foi bem recebida pelos profissionais de mercado e até poderia ser um fator positivo para o câmbio. No entanto, diante dos ruídos políticos nos últimos dias, os investidores se mostram mais reticentes em embutir uma visão mais favorável ao ajuste fiscal nos preços dos ativos. 

“A medida acaba sendo positiva. A proposta tira um entrave imediato e coloca a obrigação dos governos regionais se adaptarem em até seis meses”, explica o sócio e gestor Absolute Investimentos, Roberto Serra. “Uma vez aprovadas as regras federais, o molde está dado e os governos regionais pode seguir essa referência”, acrescenta. De acordo com emenda à proposta previdenciária, os governadores e prefeitos têm o prazo de seis meses para mudar as regras de aposentadoria dos servidores estaduais e municipais. Se nesse intervalo nada for feito, valerão as novas regras federais, previstas na proposta de emenda constitucional enviada ao Legislativo, caso seja aprovada.

Juros

O mercado de renda fixa segue calibrando as apostas para a trajetória da Selic nesta terça­feira. A expectativa é de que o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), previsto para quinta­feira, reforce o cenário de inflação em queda e sinalize a intenção do Banco Central em cortar 1 ponto percentual da taxa básica de juros no próximo encontro do Copom. Para uma redução ainda mais intensa, entretanto, especialistas apontam que as indicações no RTI teriam de ser muito mais claras. O DI julho de 2017 ­ que reflete apostas para as reuniões do Copom de abril e julho ­ recuava a 10,995%, ante 11,015%. A curva de DI embute 98% de probabilidade de redução de 1 ponto da meta Selic em abril e maio. 

Dentre os contratos mais negociados no dia, o DI janeiro de 2018 marcava 9,845%, ante 9,840% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2019 exibia 9,440%, ante 9,410%, às 12h45. O DI janeiro de 2021 apontava 9,870%, ante 9,850% no ajuste anterior. As taxas avançam com alguma cautela antes do pronunciamento da presidente do Fed, Janet Yellen. 



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