Famílias freiam gastos maiores e compram mais brinquedos

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas

O mercado brasileiro de brinquedos movimentou no ano passado R$ 6,02 bilhões em vendas, apresentando um crescimento de 7% em relação a 2015. Para 2017, a expectativa é de um novo crescimento de 7% a 8%, podendo movimentar até R$ 6,5 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq). "As famílias viajaram menos em 2016, não levaram os filhos para a Disney, não trocaram de carro, nem de imóvel, sobrou recurso para comprar mais brinquedos para as crianças", afirmou Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq.

Para o executivo, a valorização do dólar em relação ao real desmotivou as importações de brinquedos, vindos principalmente da China. A queda nas importações e a demanda aquecida no mercado interno contribuíram para um crescimento das vendas das indústrias brasileiras acima da média do varejo. De acordo com a Abrinq, em 2016 as indústrias registraram um crescimento de 10% nas vendas para o varejo, movimentando R$ 3,47 bilhões. Para 2017, o setor prevê um aumento nas vendas de 11% a 12%, chegando a um valor entre R$ 3,85 bilhões e R$ 3,88 bilhões.

Já as importações de brinquedos caíram 31% em 2016, chegando a US$ 227,44 milhões. No varejo, as vendas de produtos importados recuaram 1%, para R$ 2,55 bilhões. A queda menor no varejo, segundo Costa, deveu­se à venda de estoques de brinquedos importados antigos. "O dólar está mais valorizado neste ano em comparação a 2016, mas não acredito que haverá uma volta dos importados", disse Costa. Ele disse que, no primeiro bimestre deste ano, as importações tiveram queda de 31% em valor em comparação ao mesmo intervalo de 2016. No ano passado, os produtos importados representaram 42,4% das vendas totais no Brasil, ante 44% em 2015. 

O presidente da Abrinq afirmou que as indústrias nacionais têm investido mais em produtos "mais animados, vistosos e encantadores" para atrair os consumidores. No ano passado, as empresas fizeram 1.050 lançamentos de produtos e, neste ano, esperam colocar no mercado entre 1,5 mil e 1,8 mil novos itens.

As indústrias brasileiras aumentaram a oferta de produtos, mas reduziram o preço médio em 2% no ano, o que também ajudou nas vendas. Além disso, as indústrias optaram por reduzir a oferta de brinquedos mais caros. Do total de itens vendidos, 12,4% tinham preços acima de R$ 100 por unidade, ante 13,5% do total em 2015. As linhas entre R$ 51 e R$ 100 por unidade, por sua vez, passaram a representar 23,8% do total, ante 18,2% no ano anterior. 

Em relação às categorias de produtos, as bonecas e os bonecos foram os itens mais procurados pelos consumidores no ano passado, tendo representado 18,7% das vendas totais do setor. Linhas de bonecos de personagens da Liga da Justiça, Vingadores, princesas da Disney e Galinha Pintadinha foram as mais vendidas, segundo a Abrinq. A categoria de carrinhos, motos e pistas foi a segunda mais procurada, representando 15,1% das vendas. Em terceiro lugar estão produtos esportivos, como patins, patinetes e bicicletas, representando 12% das vendas do setor. Costa disse que, em 2017, a tendência é de crescimento nas vendas de jogos sociais (como tabuleiros e cartas), que em 2016 representaram 8,9% das vendas do setor.