"2017 será o ano da recuperação do varejo" , diz CEO da Riachuelo

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas

A Guararapes, dona da varejista de moda Riachuelo, apresentou melhora no desempenho financeiro do quarto trimestre de 2016, resultado associado ao aumento da eficiência na distribuição e na operação das lojas e a um controle rígido de custos. O presidente da Guararapes, Flávio Rocha, disse que "2017 será o ano da recuperação do varejo brasileiro" e que a Riachuelo também vai avançar. "Não sabemos se será no começo do ano ou mais no fim do ano, mas 2017 vai ser o ano da recuperação no varejo. Enquanto isso, vamos fazer nosso dever de casa, melhorando a eficiência da operação", afirmou o executivo, durante teleconferência para analistas de mercado e investidores.

A Riachuelo investiu nos últimos anos na instalação de centros de distribuição totalmente automatizados e que permitem fazer a separação de produtos item por item para cada loja. A reposição de itens nas lojas, que era feito por coleções, passou a ser feita quase diariamente. Essa mudança foi concluída em setembro e, segundo a companhia, foi o principal fator que permitiu a melhora em seus resultados no quarto trimestre. No período, a Riachuelo registrou aumento de 59,1% no lucro líquido, ante o quarto trimestre de 2015, chegando a R$ 252,4 milhões. No ano, o lucro líquido caiu 9,3%, para R$ 317,6 milhões, ainda como reflexo do desempenho fraco nos nove primeiros meses do ano. A receita líquida no quarto trimestre avançou 5,1%, para R$ 1,8 bilhão. No ano, o aumento foi de 7,5%, para R$ 5,9 bilhões. 

Rocha disse que o modelo de distribuição automatizada não se restringe à entrega de produtos nas lojas ­ inclui também a entrega de matérias­primas nas fábricas. Parte das lojas já atua com esse modelo de reposição diária. Na média, segundo Rocha, o prazo de reposição nas 291 unidades da rede gira em torno de 5 a 6 dias. "O impacto imediato desse modelo é a redução de sobras nas lojas. Isso já está trazendo impacto na margem bruta", disse o executivo. A menor necessidade de vender sobras de coleções com descontos permitiu à Riachuelo fechar o quarto trimestre com margem bruta de lucro de 52,9%, ante 49,9% um ano antes. Tulio Queiroz, diretor financeiro da Guararapes, disse que a empresa trabalha para elevar a margem de lucro em 2017. 

Ele acrescentou que a Guararapes tem concentrado a produção de itens de moda ­ que são mais rentáveis ­ na fábrica do grupo, para controlar melhor custos. Hoje, metade dos itens vendidos são fabricados pela companhia. A empresa também dobrou a capacidade de produção no Paraguai em 2015 e 2016, que tem custo mais baixo em relação a produtos importados da Ásia. 

"Diria que consistência é a palavra de ordem. Há muitas oportunidades para melhorar a operação. A companhia busca agora consistência nos resultados a partir dos passos já dados", afirmou Queiroz.