Alpargatas espera venda mais fraca no 1º trimestre

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas

O presidente da Alpargatas, Márcio Utsch, espera um desempenho de vendas mais fraco no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao avanço de 16,5% obtido no mercado interno nos três últimos meses de 2016. "A companhia vendeu bastante para o atacado no quarto trimestre, mas os distribuidores não conseguiram vender tudo. Vai ter uma compensação em janeiro e fevereiro desse volume. A expectativa é que no segundo trimestre as vendas estejam normalizadas", afirmou. Ele não vê sinais de melhora no ambiente de consumo de calçados até agora. "Vejo muitas notícias de que a situação está melhorando, mas ainda não vi nenhuma melhora no cenário brasileiro."

Apesar disso, com uma aposta em produtos de preço mais baixo e corte de custos, a companhia conseguiu encerrar 2016 com crescimento de 12% nas vendas no Brasil. A receita líquida consolidada, que inclui as operações no exterior, subiu 0,4%, para R$ 4 bilhões. O lucro líquido consolidado aumentou 36%, para R$ 358,4 milhões. No quarto trimestre, os resultados no mercado interno foram mais fortes, com avanço de 16,5% na receita líquida. "Lançamos produtos na faixa de preço mais baixa, cortamos custos em marketing. E o aumento do volume de produção gerou redução nos custos de fabricação. Além disso, seguramos muito os custos. As despesas cresceram 3%, enquanto a receita subiu 19%. Foi um desempenho muito forte considerando a crise que estamos vivendo no Brasil", afirmou Utsch.

O lucro líquido no quarto trimestre atingiu R$ 102,6 milhões, 106,4% acima do registrado 12 meses antes. A companhia atribui a alta ao crescimento das vendas e do lucro bruto da operação brasileira, mas também a um gasto extraordinário com provisões para mudança de controle no quarto trimestre de 2015, que não se repetiu no ano passado. Excluindo esse efeito, o aumento do lucro líquido teria sido de 44,3%. Já as exportações tiveram queda de 28% no quarto trimestre, impactadas principalmente pela desvalorização de 14,3% do dólar e de 15,6% do euro, além de perdas com câmbio e desempenho fraco em países como a Argentina. Utsch considera que a companhia ainda deve enfrentar desafios no mercado externo neste ano. 

Na mercado argentino, onde a receita recuou 45,3% no quarto trimestre, a Alpargatas fechou duas fábricas. "Fechar as fábricas melhora a operação na Argentina, mas não resolve o problema. As despesas foram reduzidas, mas ainda há muita coisa a ser feita", disse Utsch. Segundo ele, o principal problema do país vizinho é a crise interna. "A Argentina tem um regime de inflação de 35% a 38% ao ano. A perda gerada é enorme." A companhia é dona das marcas Havaianas, Mizuno, Topper, Dupé e Osklen. No ano passado, foram abertas 29 lojas Havaianas no Brasil e 17 fora do país, somando 578 pontos de venda.