Klabin vê retomada em papelão ondulado

Veículo: Valor 

Seção: Empresas 

As vendas de papelão ondulado da Klabin, líder isolada nesse segmento, cresceram em ritmo forte em janeiro e a entrada de pedidos para fevereiro e março indica que esse desempenho não foi isolado, de acordo com o diretorgeral da companhia, Fabio Schvartsman. Importante termômetro do nível de atividade do país, as expedições de caixas e acessórios de papelão caíram 2,3% no ano passado, de acordo com a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). Ele adiantou, em teleconferência com analistas, que a prévia que será divulgada pela entidade nos próximos dias deve mostrar crescimento de 5% nos despachos de caixas, em volume, em janeiro, na comparação anual. "A Klabin já teve crescimento nas conversões de caixas e sacos industriais superiores a dois dígitos em volume. É algo que olhamos com muita satisfação, porque não só representa a correção das medidas tomadas pela empresa como que sua atuação no mercado é consistente", disse. 

Conforme o executivo, a companhia está avaliando a execução de uma série de projetos de alto retorno. Já foram aprovados 15, totalizando R$ 223 milhões em investimentos e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) adicional de R$ 100 milhões, quando prontos. "2017 terá característica muito diferente. 2016 foi o ano de partir o Puma. Agora, o foco é muito mais de eficiência e de buscar resultados". A companhia também segue empenhada nos trabalhos para redução de gastos, tanto em papéis quanto na área florestal, "o que deve agregar três dígitos de redução de custos". Já as despesas gerais e administrativas devem se manter constantes em termos reais. 

A Klabin deverá investir R$ 950 milhões em 2017, o que se compara a R$ 2,57 bilhões desembolsados no ano passado. A queda que reflete o encerramento dos aportes na nova fábrica de celulose de Ortigueira (PR). A maior parte do valor orçado refere­se a manutenção, silvicultura e parte dos projetos de alto retorno já aprovados. Sobre a alavancagem financeira, que se mantém elevada devido ao investimento de R$ 8,5 bilhões na nova fábrica, o executivo disse que houve fatores não recorrentes que reduziram o ritmo de desalavancagem no quarto trimestre. Entre eles a compra de duas empresas de embalagens. Em dezembro, a dívida líquida equivalia a 5,2 vezes o Ebitda anualizado (5,1 vezes no terceiro trimestre). De agora em diante, a Klabin entrará em um processo de desalanvancagem, "que ocorrerá em qualquer cenário d e câmbio ou preço". "Que poderá ser mais ou menos intensa dependendo desses fatores, mas vai acontecer de maneira cada vez mais veloz", disse. 

Em janeiro, a unidade Puma, de celulose, alcançou ritmo de operação de 93% da capacidade instalada e deverá chegar a 100% após a parada geral programada para março. Em dezembro, a operação já havia chegado a 85% da capacidade de 1,5 milhão de toneladas anuais ­ 400 mil toneladas de fibra longa e 1,1 milhão de toneladas de curta. "Está na direção certa, conforme gostaríamos de ver. Junto com a elevação de produção vem a redução de custo, que é natural nessa circunstância", disse o executivo. Na média do quarto trimestre, a unidade operou a 80% da capacidade, dentro do que era esperado para o período, afirmou. 

Na parada geral de março, cujo custo ficará entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões, serão feitos os ajustes necessários para que a unidade alcance a taxa de 100%. "O custo caixa [de produção de celulose] de dezembro já foi bem menor do que o do quarto trimestre. A parada deverá dar os últimos ajustes para operar em condições normalizadas de utilização da capacidade e de custo de operação, que terá queda significativa", ressaltou.