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Dólar recua para R$ 3,168, menor nível desde novembro

Veículo: Valor Econômico
Seção: Finanças

O dólar fechou em queda frente ao real pelo terceiro pregão consecutivo, acompanhando o movimento no exterior. Investidores reduzem a posição de "hedge" (proteção) em dólar depois de os primeiros discursos do novo presidente americano, Donald Trump, não terem trazido novidades sobre as medidas econômicas, focando mais na política comercial mais protecionista. Ontem, Trump retirou formalmente os EUA da Parceria Transpacífico, um acordo comercial entre 12 nações negociado pelo ex­presidente Barack Obama. A notícia teve pouco impacto no mercado uma vez que já era esperada, sendo anunciada durante a campanha eleitoral, e também pelo fato de o acordo não incluir a China. Trump deve substituir essa aliança comercial por acordos bilaterais.

No mercado local, o dólar comercial teve baixa de 0,42%, para R$ 3,1684, menor patamar desde 8 de novembro. A queda do dólar fui influenciada pelo movimento externo e também pelo leilão de rolagem de 15 mil contratos de swap cambial tradicional, que fazem parte do lote de US$ 6,431 bilhões nesses derivativos que vence em 1º de fevereiro. Se mantiver o mesmo ritmo, o BC deve renovar o lote integral até o fim do mês.

A queda do dólar fortalece o debate sobre o ritmo de rolagem de swaps cambiais pelo BC. Analistas chegaram a dizer na semana passada, antes da posse de Trump, que a volta das rolagens seria uma atitude preventiva da autoridade monetária, diante do risco de volatilidade. Mas o discurso de Trump, ao não trazer novidades sobre a política econômica, acabou fortalecendo o ajuste de baixa do dólar. Para o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo, ao manter a sinalização de que rolará o lote integral de swaps que vence em fevereiro o BC indica estar confortável com o atual patamar da taxa de câmbio e busca minimizar a volatilidade que eventualmente venha a atrapalhar a trajetória da inflação ao centro da meta. "A meta do BC hoje é cortar os juros. O que parece é que o BC quer esse espaço para continuar cortando o juro sem gerar ruídos em outros mercados. Por isso tenta manter as condições de liquidez no câmbio.

Pesquisa Focus divulgada ontem pelo BC mostrou que a mediana das projeções para o IPCA para o fim de 2017 recuou de 4,80% para 4,71%, e ficou estável em 4,50%, no centro da meta, para 2018. A queda das expectativas de inflação veio após o dado abaixo do esperado do IPCA­ 15 na semana passada. Já a projeção para a taxa Selic para o fim deste ano caiu de 9,75% para 9,50%, recuando de 9,50% para 9,38% no fim de 2018. 

As taxas dos contratos futuros de juros fecharam em ligeira alta na BM&F, com os investidores realizando parte dos lucros com a queda recente das taxas. O DI para janeiro de 2018 subiu de 10,93% para 10,94%, enquanto o DI para janeiro de 2021 recuou de 10,62% para 10,61%.



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