Mercado reduz projeção de juros após prévia do IPCA ficar abaixo do previsto

Veículo: Folha de São Paulo
Seção: Mercado

Em meio à queda generalizada das projeções de inflação para este ano, os economistas consultados em pesquisa Focus do Banco Central passaram a ver a taxa básica de juros ainda menor, mas sem melhorar suas visões sobre a atividade econômica.

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (23), mostrou que a expectativa é que a Selic encerre 2017 a 9,50%, enquanto na semana anterior a projeção era de 9,75%. Para 2018, o movimento foi o mesmo, com as contas indicando a taxa a 9,38%, ante 9,50%.

A reunião de fevereiro do Copom (Comitê de Política Monetária) deve resultar em corte de 0,75 ponto percentual nos juros básicos, atualmente em 13%, mantendo o ritmo adotado pelo BC neste mês, de acordo com a pesquisa Focus. Antes, as projeções eram de corte de 0,50 ponto.

Na semana passada, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que a autoridade monetária entrou em novo ritmo de corte de juros.

O presidente do BC afirmou que a inflação no Brasil está caminhando para a meta e que a redução dos juros pode contribuir para o crescimento do país. Ilan enfatizou, no entanto, a necessidade de aprovação de reformas e de investimentos em infraestrutura para que a economia se recupere.

Segundo a ata do Copom, a opção pela redução mais forte ajudaria a atividade econômica em recessão atualmente, em meio ao cenário de desinflação mais disseminada.

O Focus mostrou ainda que as projeções para a alta do IPCA em 2017 recuaram a 4,71% pelo centro de expectativas, frente aos 4,80% esperados até então, marcando a terceira semana de queda nas contas. Para 2018, foram mantidas as estimativas em 4,50%.

O Top 5, grupo que mais acerta as projeções no Focus, mostrou que, pela mediana de médio prazo, é esperada que a inflação medida pelo IPCA feche 2017 ligeiramente abaixo do centro da meta, a 4,45%, sobre 4,54% antes. Para 2018, as contas foram mantidas em 4,50%.

Em janeiro, o IPCA-15 subiu 0,31%, menos do que o esperado, indo abaixo de 6% em 12 meses. A meta oficial do governo para os dois anos é de 4,5% pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual.

Apesar da maior folga nos juros, que tende a estimular o consumo, os especialistas consultados pelo Focus não melhoraram suas projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2017 e 2018, permanecendo em 0,50% e 2,20%, respectivamente.