Receita das empresas cai e mostra crise persistente

Veículo: Valor Economico 

Seção: Notícias 

No terceiro trimestre, pela primeira vez em mais de quatro anos, a receita líquida de 278 empresas de capital aberto no país apresentou queda nominal, de 3%, na comparação com o mesmo período de 2015, para R$ 335,3 bilhões, devido à combinação de fatores negativos como desemprego, juros e inflação altos e riscos no cenário externo. Somada a inflação, a queda real da receita passa dos 10%. O levantamento feito pelo Valor Data exclui Petrobras e Eletrobras, que com baixas contábeis gigantescas distorcem os dados. Com as duas estatais, a queda na receita chega a 5%. 

Neste cenário, as companhias precisaram fazer uma série de ajustes para driblar as dificuldades macroeconômicas. Com cortes de custos, redução de investimentos e racionalização de gastos, elas conseguiram, apesar da queda na receita, registrar crescimento de 7,3% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) e de 17,4% no lucro antes de juros e impostos, com alguma recomposição de margens. Além disso, efeitos financeiros positivos, com o impacto da desvalorização do dólar sobre a dívida, colaboraram com os resultados das empresas no trimestre. Embora as companhias ainda tenham apresentado despesas financeiras líquidas, no total de R$ 23,1 bilhões, o montante representa uma queda de 60% em comparação com as perdas nessa linha no ano anterior. 

Com a combinação mais favorável dos resultados operacional e financeiro, o grupo analisado conseguiu reverter um prejuízo de R$ 4 bilhões registrado no terceiro trimestre de 2015 para um lucro de R$ 15,7 bilhões. Por setores, o lado positivo foi marcada pelos balanços das siderúrgicas, como a Gerdau, que saiu de prejuízo para um lucro de R$ 91,9 milhões, além de petroquímicas, com a Braskem na liderança, e companhias aéreas. Na outra ponta, as construtoras foram o destaque negativo, com o prejuízo crescendo dez vezes, para R$ 2,1 bilhões, com o aumento dos distratos e retração nas vendas.

"Foram as expectativas que melhoraram desde o começo deste ano, não os balanços. E a grande questão é a demora cada vez mais marcada para recuperação da economia", diz o analista Carlos Sequeira, do BTG Pactual.