Ilan diz que eleição dos EUA trouxe incertezas

Veículo: Valor Economico 

Seção: Finanças 

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou nesta segunda­feira que a atuação da entidade é importante para a retomada de crescimento do Brasil. Ele defendeu as reformas estruturais e afirmou que as eleições nos Estados Unidos trouxeram mais um elemento de incertezas, embora avalie que o BC tem instrumentos de política econômica consistentes. “O BC tem papéis definidos na recuperação da confiança. O primeiro deles é no combate à inflação”, afirmou. Segundo ele, por essa razão, a condução da política monetária visando atingir a meta de 4,5% no horizonte relevante de tempo é importante para redução do risco Brasil e recuperação da atividade. 

A política monetária tem sido efetiva. As expectativas de inflação da pesquisa Focus 2017 já recuaram abaixo de 5% e em 2018 já se encontra em 4,5%. Outro papel importante do BC diz respeito ao fortalecimento do regime de cambio flutuante, que é um estabilizador frente a choques”, disse. Ilan afirmou que o Banco Central pode usar os instrumentos de que dispõe em momentos de falta de liquidez, por exemplo. Ele citou que a posição de swaps está em US$ 26 bilhões, o que significa mais espaço para atuar em momentos de turbulência. 

Segundo ele, o resultado das eleições americanas adicionou mais um elemento de incerteza, mas não está claro se o interregno benigno para os países emergentes se encerrou. “O BC tem monitorado de perto desenvolvimento dos mercados internacionais. Estamos bem preparados para encarar cenários adversos e possuímos arcabouço de política econômica consistente. Precisamos levar em consideração a nova conjuntura internacional e fazer ajustes necessários para fortalecer­nos”, afirmou. A ênfase do governo deve ser nas reformas com inflação baixa e estável, o que garante mais resiliência ao país, disse Ilan. Ele também afirmou que a avaliação do risco­Brasil é também forma de identificar problemas.

“Indentifico duas causas para a crise atual: choque externo com deterioração dos termos de troca a partir de 2011. O segundo fator foi a reação doméstica ao choque externo, que se mostrou persistente”, afirmou Ilan em sua apresentação, por vídeo, no seminário sobre o risco­país organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). As política adotadas, analisou, se mostraram “demasiadamente” intervencionistas, com represamento de preços, e exauriram o espaço fiscal que o Brasil tinha, além de terem se mostrado insustentáveis. Isso, segundo o presidente do BC, minou a confiança, tornando as famílias mais cautelosas, enquanto os empresários adiam decisões de investimento com pessimismo quanto ao futuro. 

“A agenda econômica atual busca fortalecer as políticas que implicam estabilidade macro e eliminam mecanismos que levam a distorções. Tenho convicção de que a percepção de risco dos agentes mudará para melhor seguindo esse caminho”, afirmou. As duas primeiras reformas propostas pelo governo — a do teto dos gastos e reforma da Previdência — são necessárias para garantir reversão da tendência da trajetória da dívida com relação ao Produto Interno Bruto tendência da trajetória da dívida com relação ao Produto Interno Bruto 

(PIB), defendeu. “É preciso interromper a dinâmica negativa de gastos o mais rápido possível. Com o teto (dos gastos), Brasil voltará a fazer escolhas. Estou confiante na aprovação dessa medida”, disse. A PEC dos gastos parece ter sido bem recebida no Senado, disse Ilan, avaliando que deve ser votada ainda neste mês. Ele defendeu, ainda, a necessidade de avançar “numa ampla agenda de reformas destinadas a aumentar produtividade e crescimento econômico”, bem investimentos em infraestrutura que têm papel relevante. “O resultado final com todas as reformas é aumento do potencial de crescimento do país no longo prazo”, afirmou.