IBC-Br reforça sinais de retomada lenta

Veiculo: Valor Economico 

Seção: Notícias 

A economia brasileira completou mais um trimestre com retração, o sétimo consecutivo pela métrica do Banco Central (BC), na comparação com ajuste sazonal. É a pior sequência da série estatística iniciada em 2003. Os números divulgados ontem pela autoridade monetária reforçaram a expectativa, já admitida dentro do próprio governo, de que a retomada da atividade será mais lenta que o previsto. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,78% no trimestre encerrado em setembro, em comparação com o segundo trimestre, depois de ter recuado 0,4% de abril a junho. Para economistas, o indicador, que é visto como uma proxy do Produto Interno Bruto (PIB), aponta que a queda do índice oficial do IBGE também se acentuou em igual período.

Na leitura mensal, o IBC¬Br registrou leve alta de 0,15% em setembro, também com ajuste sazonal, após retração de 1,01% em agosto (dado revistado de queda de 0,91%). Os resultados vieram em linha com o esperado pelos agentes de mercado. A média das projeções feitas por 22 instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data indicava expansão de 0,16% no mês. A trajetória negativa do IBC-Br, da produção industrial e da receita dos serviços levou a GO Associados a rever para baixo sua expectativa para o desempenho do PIB no terceiro trimestre. A consultoria trabalha agora com recuo de 0,8% para o indicador oficial do IBGE no período, ante retração de 0,6% esperada anteriormente. A previsão para a queda da economia em 2016 também mudou para pior, de ¬3,4% para ¬3,6%.

Segundo o economista Luiz Castelli, a maior surpresa negativa nos últimos meses veio da atividade industrial, que ficou 1,1% menor entre o segundo e o terceiro trimestres. Os dados já conhecidos para outubro apontam que a atividade seguiu com desempenho fraco, afirma Castelli, como a produção de automóveis, o fluxo pedagiado de veículos pesados nas estradas e a confiança de empresários e consumidores.

Por enquanto, a GO trabalha com recuo do PIB também no quarto trimestre, ainda que mais modesto, de 0,1%. "Cheguei a esperar estabilização da atividade nos últimos meses do ano, mas os dados não sugerem estabilidade", disse Castelli, para quem a alta do IBC¬Br em setembro foi tímida diante da redução de 1% em agosto e, por isso, não pode ser considerada uma sinalização positiva para os próximos meses.

Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, estima preliminarmente que a produção industrial subiu 0,4% em outubro, mas avalia que ainda é cedo para concluir que a dinâmica um pouco mais favorável vai se manter nos próximos meses. No cenário da consultoria, o PIB vai voltar a crescer nos últimos meses do ano, com alta de apenas 0,2%, depois de diminuir 0,6% nos três meses terminados em setembro.

Caso esses números sejam confirmados, o PIB terá retração de 3,5% na média de 2016, calcula Xavier. Apesar da decepção com os dados mais recentes de atividade, a Tendências mantém a perspectiva de expansão de 1,5% da economia em 2017. A inflação menos pressionada e o ciclo de redução de juros tendem a ajudar a atividade no próximo ano, diz o economista. Castelli, da GO, pondera que, devido à maior incerteza em relação ao cenário externo e à consequente depreciação do câmbio, o BC tende a ser mais conservador no ciclo de afrouxamento monetário, outro fator que atrapalha a recuperação prevista para 2017, com expansão de 1% da economia. "Essa previsão já é otimista", diz. A consultoria reviu sua expectativa para a redução da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de 0,5 ponto percentual para 0,25 ponto.

Embora seja anunciado como "PIB do BC", o IBC¬Br tem metodologia de cálculo distinta das Contas Nacionais calculadas pelo IBGE. O indicador do BC leva em conta a trajetória das variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços). A estimativa do IBC¬Br incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos. O PIB, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período.