Equipe de Trump minimiza receio de disputa com China

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Assessores do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, já começaram a amenizar a possibilidade de uma guerra comercial aberta contra a China, em meio a temores de que uma era de protecionismo americano possa prejudicar a economia mundial.

Na verdade, alguns analistas acreditam que as duras promessas comerciais feitas na campanha poderão ter um destaque menor, com Trump se concentrando no corte de impostos e num programa de infraestrutura elaborado para estimular o crescimento dos EUA, possibilidade que vem animando os mercados desde as eleições da semana passada.

"Não vai haver guerras comerciais", disse Wilbur Ross, investidor de Nova York e assessor de Trump, à imprensa americana na semana passada. Ross afirma que a ameaça de campanha de Trump, de impor uma tarifa de 45% às importações chinesas ­ apontada por economistas como potencial gatilho de uma guerra comercial com Pequim ­ está sendo mal interpretada e diz respeito apenas a táticas de negociação. Tal número dependeria de uma constatação de que a moeda chinesa, o yuan, estaria subvalorizado em 45%, explicou Ross. 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já disse que o yuan está bastante valorizado, enquanto autoridades americanas observam que todas as intervenções recentes nos mercados de câmbio por Pequim tiveram como objetivo desacelerar um declínio da moeda no mercado, o que estaria beneficiando os EUA. Embora haja dúvidas quanto a uma escalada para uma guerra comercial declarada, isso não significa que o governo Trump planeja ser suave com a China.

Trump prometeu pedir a seu secretário do Tesouro que, nos primeiros cem dias de seu mandato, classifique a China como país que manipula o câmbio, algo que o presidente Barack Obama evitou fazer por temer provocar Pequim. Essa iniciativa seria em grande parte simbólica e resultaria em poucas consequências comerciais imediatas, mas "é quase certo que isso incitaria uma reação agressiva da China, provocando uma rápida escalada das tensões bilaterais", diz Eswar Prasad, ex­especialista em China do FMI que hoje está na Universidade Cornell, nos EUA. Sem dúvida, Trump levaria casos importantes contra a China à Organização Mundial do Comércio (OMC) e imporia grandes tarifas antidumping contra as importações chinesas de aço e outros produtos, de uma maneira parecida com o que o governo Obama faz. 

Seus planos para os primeiros cem dias de governo preveem "identificar todos os abusos comerciais estrangeiros que afetam os trabalhadores americanos de maneira injusta" e "usar todas as ferramentas disponíveis sob as leis americanas e internacionais para acabar imediatamente com os abusos". Trump poderá ainda endurecer as regras para investimentos estrangeiros e o processo de revisão da segurança nacional conduzido pela Comissão de Investimentos Estrangeiros nos EUA (CFIUS, na sigla em inglês).